
É bem sabido que a Cidade Antiga está dividida pelo Grande Rio (apesar de não ser verdade) e que há uma cidade —distinta da outra— em cada uma das margens (mesmo sendo falso): os ‘factos’ confundem quem é de fora, um alerta ao viajante recém-chegado para cedo se aperceber de que as primeiras impressões são, provavelmente, ilusões.
Dificilmente escapa ao mais distraído a presença, a função e o significado daquelas pontes. Os mais eruditos, os que dedicam anos e anos a estudar antiguidades e línguas mortas, já haviam assinalado que há nomes que não são coincidências.
(…) cidade donde teve/ Origem (como é fama) o nome eterno/ De Portugal (Os Lusíadas, canto VI)

Leia o resto deste artigo »
Gostar disto:
Gostar A carregar...

Junto aos rios que fogem do abraço das margens corre a tensão entre o desejo de ficar e a urgência em prosseguir.
Atravessando rios na fronteira entre o mundo conhecido e os mundos por conhecer, quem passa teme perder a memória de quem é e ao que vai.
E tem rios que fluem de modo ao caminhante redescobrir-se parte de um mundo para além das 24 horas do dia-a-dia. Como o rio Minho. Leia o resto deste artigo »
Gostar disto:
Gostar A carregar...

Gostar disto:
Gostar A carregar...

… noutros tempos, desembarcava-se na praia e a incógnita era se habitavam pelas redondezas formosas ninfas ou ciclopes canibais. Ou ambos.
Sendo náufrago, ficava-se sujeito aos humores dos nativos que lhe seguiam as pegadas deixadas no areal, dele abusando ou devorando depois. Ou faziam-no rei da Cocanha.
Por vezes, uma cidade dourada brilhava no horizonte prometendo prazeres imperdoáveis e fortunas comparáveis às de Midas e de Creso juntas. Leia o resto deste artigo »
Gostar disto:
Gostar A carregar...

Sob o céu variável de sempre, abraçando o rio que lhe está na origem, a Cidade mantém constância na capacidade de se recriar, metamorfoseando-se com o passar dos milénios. Ou de uma década, tão-somente. E a velocidade da mudança confunde a memória.

Lenta mas inexoravelmente, a Cidade chegou às bordas do Atlântico com quem sempre teve a proximidade cúmplice, abrindo-se-lhe as portas do mundo. Entre o rio e o mar a relação é mais antiga, conflituosa a ponto de provocar cheias e naufrágios.
Todavia, é do Oceano que partem as nuvens úberes que hão-de chegar às montanhas do Interior, alimentando a maior bacia fluvial ibérica. Há que lembrá-lo uma e outra vez: a atmosfera peculiar da Cidade deve-a ao rio e da chuva brilha a luz que a ilumina. Leia o resto deste artigo »
Gostar disto:
Gostar A carregar...

Gostar disto:
Gostar A carregar...

Quando as ondas provocam o temporal, a noite e o nevoeiro levam as embarcações a arriscar a aproximação à terra, assim brilhe luz no obscuro horizonte.
Em épocas remotas, em terras ainda mais remotas — tempos em que toda a terra que não fosse a natal era terra, senão remota, estranha—, fogueiras ardiam nas praias para atrair os desesperados barcos contra baixios e rochedos onde, fatalmente, se destroçariam e espalhariam a carga no areal.

Para os que pisam terra firme, este é o finis terrae onde todos os passos tropeçam frente ao sol poente. O desejo de atravessar para a outra margem é espicaçado pela sugestão das ilhas de todas as especiarias e outras delícias.
Mas a sabedoria das gentes que habitam à beira-mar avisa: o que o mar traz, o mar leva… Leia o resto deste artigo »
Gostar disto:
Gostar A carregar...