As Pontes da Cidade   Leave a comment

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É bem sabido que a Cidade Antiga está dividida pelo Grande Rio (apesar de não ser verdade) e que há uma cidade —distinta da outra— em cada uma das margens (mesmo sendo falso): os ‘factos’ confundem quem é de fora, um alerta ao viajante recém-chegado para cedo se aperceber de que as primeiras impressões são, provavelmente, ilusões.

Dificilmente escapa ao mais distraído a presença, a função e o significado daquelas pontes. Os mais eruditos, os que dedicam anos e anos a estudar antiguidades e línguas mortas, já haviam assinalado que há nomes que não são coincidências.

(…) cidade donde teve/ Origem (como é fama) o nome eterno/ De Portugal (Os Lusíadas, canto VI)

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Rio Minho   Leave a comment

 

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Junto aos rios que fogem do abraço das margens corre a tensão entre o desejo de ficar e a urgência em prosseguir.

Atravessando rios na fronteira entre o mundo conhecido e os mundos por conhecer, quem passa teme perder a memória de quem é e ao que vai.

E tem rios que fluem de modo ao caminhante redescobrir-se parte de um mundo para além das 24 horas do dia-a-dia. Como o rio Minho. Leia o resto deste artigo »

Boas Festas e Feliz Ano de 2017   1 comment

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Posted Dezembro 21, 2016 by pepe in PortoGrafia

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Chegar a uma praia deserta…   Leave a comment

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… noutros tempos, desembarcava-se na praia e a incógnita era se habitavam pelas redondezas formosas ninfas ou ciclopes canibais. Ou ambos.

Sendo náufrago, ficava-se sujeito aos humores dos nativos que lhe seguiam as pegadas deixadas no areal, dele abusando ou devorando depois. Ou faziam-no rei da Cocanha.

Por vezes, uma cidade dourada brilhava no horizonte prometendo prazeres imperdoáveis e fortunas comparáveis às de Midas e de Creso juntas. Leia o resto deste artigo »

Posted Outubro 7, 2016 by pepe in imago mundi

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memória futura   Leave a comment

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Sob o céu variável de sempre, abraçando o rio que lhe está na origem, a Cidade mantém constância na capacidade de se recriar, metamorfoseando-se com o passar dos milénios. Ou de uma década, tão-somente. E a velocidade da mudança confunde a memória.

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Lenta mas inexoravelmente, a Cidade chegou às bordas do Atlântico com quem sempre teve a proximidade cúmplice, abrindo-se-lhe as portas do mundo. Entre o rio e o mar a relação é mais antiga, conflituosa a ponto de provocar cheias e naufrágios.

Todavia, é do Oceano que partem as nuvens úberes que hão-de chegar às montanhas do Interior, alimentando a maior bacia fluvial ibérica. Há que lembrá-lo uma e outra vez: a atmosfera peculiar da Cidade deve-a ao rio e da chuva brilha a luz que a ilumina. Leia o resto deste artigo »

São João do Porto   Leave a comment

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Posted Junho 23, 2016 by pepe in PortoGrafia

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Chegando à Cidade   Leave a comment

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Quando as ondas provocam o temporal, a noite e o nevoeiro levam as embarcações a arriscar a aproximação à terra, assim brilhe luz no obscuro horizonte.

Em épocas remotas, em terras ainda mais remotas — tempos em que toda a terra que não fosse a natal era terra, senão remota, estranha—, fogueiras ardiam nas praias para atrair os desesperados barcos contra baixios e rochedos onde, fatalmente, se destroçariam e espalhariam a carga no areal.

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Para os que pisam terra firme, este é o finis terrae onde todos os passos tropeçam frente ao sol poente. O desejo de atravessar para a outra margem é espicaçado pela sugestão das ilhas de todas as especiarias e outras delícias.

Mas a sabedoria das gentes que habitam à beira-mar avisa: o que o mar traz, o mar leva… Leia o resto deste artigo »

O Grande Rio do Norte   Leave a comment

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Até nos dias solarengos e tranquilos a vaga alterosa revela as afinidades entre este mar—que é todo um oceano— e o Grande Rio do Norte.

As águas do Atlântico e as do Douro enfrentam-se desesperadamente, umas vezes; noutras, o mar vence a corrente e sobe à bruta ou, pelo contrário, o rio joga sobre o mar toda a terra com que os temporais do Interior Profundo o alimentam… e com o lodo e a lama, troncos d’árvore e cepas de vide, destroços de casas e de barcas, carcaças de gado, corpos de gente.

Em tempo de inverno, havendo alguma agua do monte e vento Leste, não pôde entrar embarcação alguma. Os maiores perigos nas entradas e saídas acontecem ordinariamente, se ha grandes cheias no rio, ou braveza no mar, ou ventos furiosos, e maiormente conforme o estado da barra, porque se estiver alterada com a corrente das areias, seria absolutamente impraticável.(in  Os Portos Marítimos de Portugal e Ilhas Adjacentes, vol I de Adolfho Loureiro 1904)

Rio temperamental e de excessos. Como o Oceano.

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Sua corrente faz-se sentir centenas—quiçá milhares— de quilómetros mar afora, como atestam os corpos dos infelizes arrastados mar adentro pelas águas do Douro.

Os povos das duas margens do Douro, dão o nome de ponto—e também galeira — ao sitio do rio em que a navegação se torna perigosa, em razão de correr a agua com vertiginosa rapidez, por entre rochedos. (in Portugal Antigo e Moderno Vol.VII de Pinho Leal)

Aos olhos do viajante recém-chegado, a cidade levantada junto à foz está dividida pelo rio; só pela vontade e pelo engenho dos moradores as duas metades foram abraçadas pelas pontes de barcas de madeira e pelas pontes de ferro ou de betão, construídas ao longo dos séculos.

A Cidade tanto lhe parece bonita, como triste, escura e fria. Ou feia. Tal qual o rio.

O Porto fúnebre, na cor parda dos seus granitos, nas sombras verde-negras das suas encostas de pinheirais, no chapéu de nevoeiros que o cobre aparecia com um aspecto tumular; lá no fundo, torvo e sombrio, corria o Douro, (…) (in Portugal Contemporâneo Vol.V, de Oliveira Martins)

E nem é mentira: são, até, meias-verdades! Só quando o viajante estranhar a luz da Cidade perceberá haver aqui um enigma; para isso terá de enfrentar chuva e nevoeiro, os dias e as noites da morrinha ou do temporal.

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Boas Festas   Leave a comment

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Posted Dezembro 26, 2015 by pepe in imago mundi

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Reflexões Outonais   Leave a comment

A noite é um outro-mundo, a beira-mar é fronteira e o espelho das águas é (como qualquer espelho, aliás) um abismo. Para sabê-lo há que vaguear sem temor aos encontros. Ou de se perder do caminho para casa.

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De todas as estações do ano, o Outono é a que oferece a percepção mais nítida, senão mesmo obsessiva, do fim de um tempo e da mudança. Há quem passeie à beira-mar movido pelo vago desejo de partir rumo a destino incerto, como há quem vagueie desejoso de se perder pelos bosques. Leia o resto deste artigo »

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