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	<title>imago mundi</title>
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		<title>imago mundi</title>
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		<title>luz incerta</title>
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		<pubDate>Wed, 19 Aug 2009 11:45:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>pepe</dc:creator>
				<category><![CDATA[imago mundi]]></category>

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		<description><![CDATA[
 As praias já foram lugares assombrados pela luz incerta de mundos desencontrados: colónias de pescadores do norte que desciam o litoral na busca de outras águas, trazendo consigo artes ancestrais; porta de entrada para piratas escandinavos e mouros na sua faina de pilhar mosteiros e povoados; 
 

e haviam aquelas outras, ainda, onde se acendiam fogueiras nas [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=imagomundo.wordpress.com&blog=2050481&post=183&subd=imagomundo&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p><img class="aligncenter size-full wp-image-203" src="http://imagomundo.files.wordpress.com/2009/08/praia-nevoap1.jpg?w=486&#038;h=360" alt="" width="486" height="360" /></p>
<p> As praias já foram lugares assombrados pela luz incerta de mundos desencontrados: colónias de pescadores do norte que desciam o litoral na busca de outras águas, trazendo consigo artes ancestrais; porta de entrada para piratas escandinavos e mouros na sua faina de pilhar mosteiros e povoados; </p>
<p> <span id="more-183"></span></p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-205" src="http://imagomundo.files.wordpress.com/2009/08/bixapeq.jpg?w=471&#038;h=421" alt="" width="471" height="421" /></p>
<p>e haviam aquelas outras, ainda, onde se acendiam fogueiras nas noites de névoa e tempestade para atrair as embarcações contra os baixios onde se despedaçariam, para gáudio da turba miserável que recolhia no areal os despojos do mar.</p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-202" src="http://imagomundo.files.wordpress.com/2009/08/janela-para-riop1.jpg?w=473&#038;h=366" alt="" width="473" height="366" /></p>
<p> A foz dos rios também era assombrada pela luz, por mais altas que fossem as muralhas erguidas para a enquadrar nas leis e costumes locais. Entre o mar, a terra e o céu sempre houve cumplicidade para desvairar corações solitários e espíritos inquietos: porto de chegada, porto de partida, conforme a luz de cada dia.</p>
<p> </p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-201" src="http://imagomundo.files.wordpress.com/2009/08/arrabidapeq.jpg?w=476&#038;h=255" alt="" width="476" height="255" /></p>
<p> Ainda surge hoje, mesmo quando a cidade invade as margens do rio, abraçando-as firmemente, mesmo quando o rio parece adormecido entre o casario: a luz faz reaparecer espaços que são caminhos para qualquer parte.</p>
<p> </p>
<p> </p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-200" src="http://imagomundo.files.wordpress.com/2009/08/church-on-sightp.jpg?w=461&#038;h=551" alt="" width="461" height="551" /></p>
<p> Na verdade, passo-a-passo se faz o caminho, não havendo mapas nem bússolas que valham quando não se tem destino ou se parte atrás duma ilusão. Difícil de entender hoje em dia, mas com um GPS Colombo jamais chegaria à América ou Cabral teria descoberto &#8220;por acaso&#8221; o Brasil.</p>
<p>É da natureza das coisas que as miragens atraiam os aventureiros para longe das rotas das caravanas: é pela luz incerta que brilha ouro nas cúpulas das cidades imaginárias.</p>
<p> </p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-199" src="http://imagomundo.files.wordpress.com/2009/08/mmix-novomundop.jpg?w=480&#038;h=640" alt="" width="480" height="640" /></p>
<p> Portas abertas a mais caminhos por desbravar em jogos de luz e sombra para melhor confundir certezas, prometer quimeras ou convidar à reflexão. <em>O que parece, excepcionalmente é</em> terá dito o rei lendário dum reino imaginário num livro inexistente.</p>
<p> </p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-198" src="http://imagomundo.files.wordpress.com/2009/08/castle-in-the-woodsp.jpg?w=454&#038;h=371" alt="" width="454" height="371" /></p>
<p> Quem fala de reis, reinos e livros, fala também de princesas em seus castelos nas florestas encantadas, mergulhadas na mesma luz onde as sombras pressentem o que a claridade oculta. Até nos contos infantis de antanho, a morte era presença habitual, corria sangue quando se rasgava a carne no fio da espada e as pulsões sexuais eram omnipresentes.</p>
<p> </p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-197" src="http://imagomundo.files.wordpress.com/2009/08/crescentep.jpg?w=461&#038;h=397" alt="" width="461" height="397" /> </p>
<p>Ao fim do dia, no fim da jornada, muda a luz e tudo o mais muda. Sem que se esgote o ânimo ou se sacie a vontade de prosseguir, num crescente de novidades que sempre povoaram cânticos e contos de toda a parte do mundo. Toda a cidade ao longe, depois do sol-pôr, é convite à transgressão.</p>
<p> </p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-196" src="http://imagomundo.files.wordpress.com/2009/08/lake-cityp.jpg?w=468&#038;h=384" alt="" width="468" height="384" /></p>
<p> Como se uma luz sombria aclarasse o mundo com seus significados ambíguos, como se as verdades morais só fossem verdadeiras pela metade, como se cada qual assumisse a responsabilidade do seu destino. No final de mais uma etapa da viagem, com a cidade onde há cama e mesa farta à vista, sempre se insinua a dúvida: <em>aonde é que eu me vou meter?</em></p>
<p> </p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-195" src="http://imagomundo.files.wordpress.com/2009/08/noite-nos-grilosp.jpg?w=472&#038;h=479" alt="" width="472" height="479" /></p>
<p> Porque à luz da noite deambulam noctívagos em trânsito de não-se-sabe-onde para não-se-sabe-aonde, através de vielas e ruas (algumas de má-fama). Com o bafo cheirando a álcool e tabaco, mãos armadas de más-intenções e as roupas das mulheres insinuando perfumes óbvios, qual o viajante recém-chegado que vira as costas à cidade nocturna nas pausas da travessia sem fim?</p>
<p> </p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-194" src="http://imagomundo.files.wordpress.com/2009/08/secret-chamberp.jpg?w=480&#038;h=564" alt="" width="480" height="564" /></p>
<p> Não basta atrevimento, é certo. Também carece de sensibilidade para distinguir a gema preciosa do banal vidro colorido: existem cantos e recantos, passagens discretas ou nem tanto, guias improváveis e companhias não recomendáveis, mas imprescindíveis. E o mundo vai desvelando saberes, vidas e prazeres.</p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-193" src="http://imagomundo.files.wordpress.com/2009/08/night-seap.jpg?w=448&#038;h=336" alt="" width="448" height="336" /></p>
<p> Porque é próprio da noite destilar o veneno da Lua numa luz suave que cativa e conduz o incauto atrás dos cantos das sereias&#8230;que navegador não arriscou, alguma vez, afundar o barco nos recifes? Como se temesse mais o arrependimento pelo não-feito do que pelo mal-feito.</p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-192" src="http://imagomundo.files.wordpress.com/2009/08/canicadap.jpg?w=448&#038;h=336" alt="" width="448" height="336" /></p>
<p> Uns o sabem por intuição, outros aprendem com o tempo: há sempre um novo dia após o que finda&#8230;haja arte e manha, arrojo também, para lá chegar vivo (e inteiro, de preferência). Como a luz, a sorte também varia. Dúvidas, dilemas e perigos é que nem tanto. Mas quanto horizonte a desbravar!</p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-191" src="http://imagomundo.files.wordpress.com/2009/08/ria-formosap.jpg?w=448&#038;h=215" alt="" width="448" height="215" /></p>
<p> Nunca ficará definitivamente aclarado se é o mar que torna azul o céu, se o contrário. Quem responde ao apelo do mar para descobrir que céu brilha &#8220;do outro lado&#8221;, tem sempre um barco ocioso pousado &#8220;do lado de cá&#8221;. Geralmente, é o viajante quem adia a partida por redescobrir encantos &#8220;deste lado&#8221;, o lado da terra&#8230;terra talvez firme e seguramente mais familiar.</p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-190" src="http://imagomundo.files.wordpress.com/2009/08/fishing-sunsetp.jpg?w=400&#038;h=459" alt="" width="400" height="459" /></p>
<p>Invariavelmente, é a luz incerta que indica a hora da partida: o &#8220;lado de lá&#8221; ergue seus castelos de nuvens e sonhos frente aos quais toda a realidade é banal e suja. O que não sendo mentira de todo, quanta verdade se omite nisto&#8230; </p>
<p> </p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-189" src="http://imagomundo.files.wordpress.com/2009/08/sail-to-sunsetp.jpg?w=448&#038;h=336" alt="" width="448" height="336" /></p>
<p>Já os Antigos avisavam contra os estreitos onde as correntes arrastam os barcos com violência. Mas o medo de perder de vista a terra sempre foi a causa de tantos naufrágios.</p>
<p> </p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-188" src="http://imagomundo.files.wordpress.com/2009/08/agulhapeq.jpg?w=448&#038;h=280" alt="" width="448" height="280" /></p>
<p> Que luz manchará o horizonte do &#8220;lado de lá&#8221; do mar? Será o mesmo mar? O céu de quantas cores brilhará à nova luz? E será a terra tão firme quanto a terra do &#8220;lado de cá&#8221;? Ou só o viajante muda, ainda que sendo sempre incerto vagabundo? Sempre solitário pináculo frente ao mundo.</p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-187" src="http://imagomundo.files.wordpress.com/2009/08/reflexosp.jpg?w=336&#038;h=448" alt="" width="336" height="448" /></p>
<p>É à luz incerta que o reflexo das águas paradas nos dá a medida do nosso viver: incerto nómada, luz incerta, por toda a parte&#8230;haverá coisa mais certa e segura?</p>
<p> </p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-186" src="http://imagomundo.files.wordpress.com/2009/08/goatsp.jpg?w=448&#038;h=225" alt="" width="448" height="225" /></p>
<p>Todavia, já um guardador de rebanhos avisara que <em>o vento só fala do vento* </em>e que se interrogar é uma forma de estar doente&#8230;<em>Pouco me importa. Pouco me importa o quê? Não sei, pouco me importa*.</em></p>
<p><em>* in </em>Alberto Caeiro <span style="text-decoration:underline;">Poesia</span>, ed. Assirio &amp; Alvim 2001</p>
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		<title>chegada à Primavera</title>
		<link>http://imagomundo.wordpress.com/2009/05/07/elogio-do-inverno/</link>
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		<pubDate>Thu, 07 May 2009 11:40:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>pepe</dc:creator>
				<category><![CDATA[imago mundi]]></category>

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		<description><![CDATA[ 

Quem anda pelos velhos caminhos tem encontros inesperados, mas já poucos são os que temem o lobo. Os dias escuros, frios e húmidos são convite ao recolhimento, à reflexão, à melancolia. Ou assim era dantes. Há saberes que convocam os cinco sentidos, há aproximações só possíveis depois dum distanciamento. E a vida é impulso.


  Que [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=imagomundo.wordpress.com&blog=2050481&post=131&subd=imagomundo&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p> </p>
<p style="text-align:center;"><img class="size-large wp-image-130  aligncenter" src="http://imagomundo.files.wordpress.com/2009/05/rebanhopastora.jpg?w=600&#038;h=218" alt="" width="600" height="218" /></p>
<p>Quem anda pelos velhos caminhos tem encontros inesperados, mas já poucos são os que temem o lobo. Os dias escuros, frios e húmidos são convite ao recolhimento, à reflexão, à melancolia. Ou assim era dantes. Há saberes que convocam os cinco sentidos, há aproximações só possíveis depois dum distanciamento. E a vida é impulso.</p>
<p><span id="more-131"></span></p>
<p style="text-align:center;"><img class="size-full wp-image-136  aligncenter" src="http://imagomundo.files.wordpress.com/2009/05/toxic-meatp.jpg?w=578&#038;h=420" alt="" width="578" height="420" /></p>
<p>  Que no Inverno há promessa de Primavera é um conhecimento que se vai perdendo pelos corredores dos hipermercados, nos campos cobertos de estufas ou nos pavilhões industriais onde se “produz” animais vivos para consumo. A paisagem, natural ou humana,  cede o lugar ao loteamento.</p>
<p style="text-align:center;"> <img class="aligncenter size-full wp-image-144" src="http://imagomundo.files.wordpress.com/2009/05/andorinhasp1.jpg?w=497&#038;h=352" alt="" width="497" height="352" /></p>
<p style="text-align:left;">Não são as andorinhas que fazem a Primavera e muito menos se deixa manietar o Inverno pelo calendário onde os meses de Verão estão em destaque. Atentas aos sinais do tempo, as andorinhas suportam-lhe os caprichos compondo notas musicais numa pauta imaginária. Para espanto e incompreensão de muita criatura urbana, é o cuco quem anuncia a Primavera. Mas de nada vale sabe-lo, sem o ouvir.</p>
<p style="text-align:center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-145" src="http://imagomundo.files.wordpress.com/2009/05/campanariop.jpg?w=497&#038;h=664" alt="" width="497" height="664" /></p>
<p style="text-align:left;"> A luz sombria assusta os mais sensíveis, tal como aborrece os insensíveis: uns e outros suportam mal a tensão dum mundo que não se deixe humanizar. O Inverno, ou a Morte: variações do Medo e do Nada, dirão os mais “entendidos”. Sem a vivência do ciclo das estações do ano, o tempo reduzido a &#8220;mau&#8221; e &#8220;bom&#8221;, é a noção do Tempo que se perde.</p>
<p style="text-align:center;"> </p>
<p style="text-align:center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-146" src="http://imagomundo.files.wordpress.com/2009/05/templo-nocturnop.jpg?w=497&#038;h=285" alt="" width="497" height="285" /></p>
<p style="text-align:left;">  Numa época em que “a noite” é programa de entretenimento, jogos de luz e cor, espaços de ruído e gente animada, difícil acreditar que hajam lugares depois do sol-posto alumiados por uma luz escura como a noite, onde ecoa o silêncio: moradas de deuses obscuros, habitados por demónios tão familiares que causam estranheza. São aqueles que obsessivamente lhes fogem os que fatalmente se deixam por eles dominar, mas também são cada vez mais os que andam no mundo sem deles terem ideia e tornam-se suas presas fáceis.</p>
<p style="text-align:center;"> </p>
<p style="text-align:center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-148" src="http://imagomundo.files.wordpress.com/2009/05/black-night-copyp.jpg?w=550&#038;h=410" alt="" width="550" height="410" /></p>
<p style="text-align:left;">Antigamente, quando se falava de luz era na escuridão em que se pensava. E luz na escuridão, a maior de todas as luzes: aquela que põe lobos e cães a uivar, assanhando gatos no cio, acendendo paixões juvenis em qualquer idade. Como contraponto, faziam-se fogueiras nas noites de  S.João e em todas as festevidades em que o povo saia à rua noite adentro.</p>
<p style="text-align:center;"> </p>
<p style="text-align:center;"> <img class="size-full wp-image-150  aligncenter" src="http://imagomundo.files.wordpress.com/2009/05/marshesp1.jpg?w=497&#038;h=662" alt="" width="497" height="662" /></p>
<p style="text-align:left;">  Haviam lugares ermos onde morriam homens “de morte matada”, mulheres afogadas em desespero de vida e crianças enregeladas no caminho perdido de casa. O mundo nunca foi um lugar seguro, muito menos no Inverno, ainda menos na noite.</p>
<p style="text-align:center;"> </p>
<p style="text-align:center;"> </p>
<p style="text-align:center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-151" src="http://imagomundo.files.wordpress.com/2009/05/wild-horsesp.jpg?w=568&#038;h=250" alt="" width="568" height="250" /></p>
<p style="text-align:left;">Tempo e lugares onde os animais ainda falavam, mouras encantadas e santas solitárias davam a mão aos aflitos, enquanto o diabo tentava o incauto e os mortos reclamavam justiça ou pediam a quem passava que lhes valessem na reparação dum grande pecado.</p>
<p style="text-align:left;"> </p>
<p style="text-align:center;"><img class="size-full wp-image-153  aligncenter" src="http://imagomundo.files.wordpress.com/2009/05/shangri-lap.jpg?w=547&#038;h=381" alt="" width="547" height="381" /></p>
<p> Os povoados protegiam-se desse mundo como podiam, rodeando-se de campos e de muros, ansiosos pela luz do dia e receando as luzes vindas do escuro da noite.</p>
<p style="text-align:center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-154" src="http://imagomundo.files.wordpress.com/2009/05/espigueirosp.jpg?w=496&#038;h=378" alt="" width="496" height="378" /></p>
<p>A Lua Cheia não era sossego para quem tivesse haveres ou filhas casadoiras, guardando uns e outras na segurança possível de quatro paredes de pedra.</p>
<p style="text-align:center;"> </p>
<p style="text-align:center;"><img class="size-full wp-image-155  aligncenter" src="http://imagomundo.files.wordpress.com/2009/05/greenfieds_edited-1p.jpg?w=497&#038;h=372" alt="" width="497" height="372" /></p>
<p> A Primavera só dava a ilusão da segurança, sossegando as dores e anunciando futuras colheitas, mas todos sabiam que são esses os meses em que a geada mais estragos faz.</p>
<p> </p>
<p style="text-align:center;"><img class="size-full wp-image-156  aligncenter" src="http://imagomundo.files.wordpress.com/2009/05/cegonhap.jpg?w=497&#038;h=662" alt="" width="497" height="662" /></p>
<p> Dias de céu limpo em pleno Inverno só agradam à moderna indústria turística, porque um Inverno frio e chuvoso sempre foi a melhor garantia dum ano farto, poços cheios d’água, orvalhadas de S.João.</p>
<p> </p>
<p style="text-align:center;"><img class="size-full wp-image-157  aligncenter" src="http://imagomundo.files.wordpress.com/2009/05/golden-cropp.jpg?w=497&#038;h=372" alt="" width="497" height="372" /></p>
<p style="text-align:left;">Promessa do amanhecer por que se labutam nos campos meses de penas e canseiras, dando início à colheita almejada. O que para alguns é garantia de futuro, para os viajantes de autoestrada rumo ao Allgarve ou fronteira é paisagem passada.</p>
<p style="text-align:left;"> </p>
<p style="text-align:center;"><img class="size-full wp-image-158  aligncenter" src="http://imagomundo.files.wordpress.com/2009/05/black-countryp.jpg?w=497&#038;h=371" alt="" width="497" height="371" /></p>
<p style="text-align:left;"> A luz é que marca a diferença, faça frio ou calor, sol ou chuva. Também os rios davam seus sinais no tempo em que corriam livres até ao mar.</p>
<p style="text-align:left;"> </p>
<p style="text-align:center;"><img class="size-full wp-image-159  aligncenter" src="http://imagomundo.files.wordpress.com/2009/05/castle-by-the-riverp.jpg?w=595&#038;h=234" alt="" width="595" height="234" /></p>
<p style="text-align:left;">Quem vivia à beira-rio sabia que a lampreia e o sável não aguardavam pela Primavera para subirem contra a corrente. E que eram os anos de chuva que arrastavam o peixe rio acima.</p>
<p style="text-align:left;"> </p>
<p style="text-align:center;"><img class="size-full wp-image-160  aligncenter" src="http://imagomundo.files.wordpress.com/2009/05/boatp.jpg?w=497&#038;h=372" alt="" width="497" height="372" /></p>
<p style="text-align:left;">Durante as horas do sol, a vida no rio como que adormece. Mas de noite saem embarcações para estenderem as redes, como se a luz do dia fosse daninha para as artes da pesca.</p>
<p style="text-align:left;"> </p>
<p style="text-align:center;"><img class="size-full wp-image-161  aligncenter" src="http://imagomundo.files.wordpress.com/2009/05/barca.jpg?w=497&#038;h=372" alt="" width="497" height="372" /></p>
<p style="text-align:left;">Há noites que nem todos barcos regressam. Se aparecem depois, aparecem vazios e encalhados num mouchão, senão mesmo virados na água. Tem vezes que são as lampreias quem levam a melhor.</p>
<p style="text-align:left;"> </p>
<p style="text-align:center;"><img class="size-full wp-image-162  aligncenter" src="http://imagomundo.files.wordpress.com/2009/05/colored-boatp.jpg?w=497&#038;h=372" alt="" width="497" height="372" /></p>
<p>Essa é sina do homem do mar por melhor que conheça a luz do céu e os ventos que batem na costa. A aparente alegria com que enfeitam suas embarcações contrasta com o luto pesado de suas familias.</p>
<p> </p>
<p style="text-align:center;"><img class="size-full wp-image-163  aligncenter" src="http://imagomundo.files.wordpress.com/2009/05/tsunamip.jpg?w=497&#038;h=372" alt="" width="497" height="372" /></p>
<p>Mas essas são outras histórias. Estórias do mar. Aqueles que nunca se atreveram a entrar por ele adentro jamais poderão imaginar como pode ser terrível uma noite de Inverno e, mesmo assim, haver quem saiba e se faça ao mar noite afora.</p>
<p>  </p>
<p style="text-align:center;"> <img class="size-full wp-image-165  aligncenter" src="http://imagomundo.files.wordpress.com/2009/05/full-moon.jpg?w=497&#038;h=372" alt="" width="497" height="372" /></p>
<p>Dantes ninguém era tão ingénuo para pensar que era por ser escura e fria que havia perigos na noite. As noites quentes ao luar transtornavam cabeças e corações, desgraçavam o bom nome de honrados pais-de-familia, causavam rixas e zaragatas. A noite sempre foi motivo de ditos de escárnio e conversas de mal-dizer.</p>
<p> </p>
<p style="text-align:center;"><img class="size-large wp-image-166  aligncenter" src="http://imagomundo.files.wordpress.com/2009/05/cavalo-mazouco.jpg?w=447&#038;h=305" alt="" width="447" height="305" /></p>
<p>Até os mais Antigos o sabiam: com a Primavera há forças incontroláveis e geradoras de vida, a quem prestavam culto e tributo. Com afinco e a persistência de milhares de anos, gravaram no xisto suas verdades, seus anseios, assinalando no território a herança que nos legaram. Seus descendentes de hoje retribuem-lhes com desprezo e ressentimento, amesquinhando assim seu próprio futuro.</p>
<p style="text-align:center;"><img class="size-full wp-image-167  aligncenter" src="http://imagomundo.files.wordpress.com/2009/05/cat-on-hot-tin-roof.jpg?w=447&#038;h=343" alt="" width="447" height="343" /></p>
<p>Na Primavera, pensava-se, a terra adormecida despertava e era como se no ar andassem espíritos para se apoderarem dos corpos de tudo o que se mova</p>
<p> </p>
<p style="text-align:center;"><img class="size-full wp-image-168    aligncenter" src="http://imagomundo.files.wordpress.com/2009/05/casa-de-lousap.jpg?w=497&#038;h=371" alt="" width="497" height="371" /></p>
<p> e passados meses havia mais uma boca a alimentar, mais uma criatura a quem vestir. Umas vezes era uma benção, outras imensa vergonha: a vida é contagiosa e não pede licença.</p>
<p> </p>
<p style="text-align:center;"><img class="size-full wp-image-169  aligncenter" src="http://imagomundo.files.wordpress.com/2009/05/walled-roadp.jpg?w=479&#038;h=640" alt="" width="479" height="640" /></p>
<p>A correr bem o ano, as árvores dobram com o peso dos frutos, aliviando a sede ou a fome de quem passa, oferecendo sombra fresca em pleno Agosto,</p>
<p> </p>
<p style="text-align:center;"><img class="size-full wp-image-170  aligncenter" src="http://imagomundo.files.wordpress.com/2009/05/green-fieldsp.jpg?w=497&#038;h=371" alt="" width="497" height="371" /></p>
<p>os campos cobrem-se da luz da terra, premiando cada gota de suor pingada na jornada de sol-a-sol. Quando o Inverno é generoso em água e frio, nenhum Verão é tão forte para secar as fontes e espalhar pragas do Egipto.</p>
<p> </p>
<p style="text-align:center;"><img class="size-full wp-image-172  aligncenter" src="http://imagomundo.files.wordpress.com/2009/05/passagem-estreitap1.jpg?w=497&#038;h=664" alt="" width="497" height="664" /></p>
<p> Iludido com as amenidades do tempo quente, alumiado pela pedra das paredes e pelo verde das ramadas, o ingénuo caminhante perde-se no dédalo da vida sensual</p>
<p style="text-align:center;"><img class="size-full wp-image-173  aligncenter" src="http://imagomundo.files.wordpress.com/2009/05/ermidap.jpg?w=497&#038;h=414" alt="" width="497" height="414" /></p>
<p>até cruzar fronteiras onde o mais-além são espaços selvagens dum tempo fora do Tempo, mesmo à luz do sol de Verão.</p>
<p> </p>
<p style="text-align:center;"><img class="size-full wp-image-174  aligncenter" src="http://imagomundo.files.wordpress.com/2009/05/mazoucop.jpg?w=497&#038;h=372" alt="" width="497" height="372" /></p>
<p> Ganhando distância donde foi, tentando vislumbrar ao longe quem é, descobrindo-se peregrino num caminho que já vai a mais de meio, o caminhante hesita na vertigem da ascensão e queda</p>
<p> </p>
<p style="text-align:center;"><img class="size-full wp-image-175    aligncenter" src="http://imagomundo.files.wordpress.com/2009/05/bela-pastora2p.jpg?w=497&#038;h=664" alt="" width="497" height="664" /></p>
<p>Também ele, se sofrer a morrinha do Inverno, há-de encontrar nascentes de água fresca e caminhos abertos à paixão de amar a vida. Aí sim! Chegou à Primavera.</p>
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			<media:title type="html">novo mundo</media:title>
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		<title>Sortilégio de Inverno</title>
		<link>http://imagomundo.wordpress.com/2009/01/18/sortilegio-de-inverno/</link>
		<comments>http://imagomundo.wordpress.com/2009/01/18/sortilegio-de-inverno/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 18 Jan 2009 23:01:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>pepe</dc:creator>
				<category><![CDATA[imago mundi]]></category>
		<category><![CDATA[inverno]]></category>
		<category><![CDATA[melancolia]]></category>
		<category><![CDATA[memória]]></category>
		<category><![CDATA[sortilégio]]></category>

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		<description><![CDATA[Sob o manto brumoso do Inverno, o frio melancólico da terra alagada, da vida adormecida ou ausente. As hordas inconformadas dos veraneantes anseiam pelo seu fim, só o tolerando em formato postal das “férias na neve” ou na urbanidade da decoração de ruas natalícias. Os Antigos temiam-no, resignados ao ciclo da terra que se recolhe [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=imagomundo.wordpress.com&blog=2050481&post=96&subd=imagomundo&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:6pt 0 0;"><span style="font-size:small;font-family:Calibri;"><img class="aligncenter size-full wp-image-97" title="waterglass" src="http://imagomundo.files.wordpress.com/2009/01/waterglass.jpg?w=497&#038;h=372" alt="waterglass" width="497" height="372" />Sob o manto brumoso do Inverno, o frio melancólico da terra alagada, da vida adormecida ou ausente. As hordas inconformadas dos veraneantes anseiam pelo seu fim, só o tolerando em formato postal das “férias na neve” ou na urbanidade da decoração de ruas natalícias. Os Antigos temiam-no, resignados ao ciclo da terra que se recolhe em silêncio e sossego abissais.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:6pt 0 0;"> <span id="more-96"></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:6pt 0 0;"><img class="aligncenter size-full wp-image-98" title="muddy-water" src="http://imagomundo.files.wordpress.com/2009/01/muddy-water.jpg?w=497&#038;h=372" alt="muddy-water" width="497" height="372" /></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:6pt 0 0;"><span style="font-size:small;font-family:Calibri;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:6pt 0 0;"><span style="font-size:small;font-family:Calibri;">Pelos caminhos dos charcos e das ervas, quem os pisa deixa-se tentar pelo piar solitário de ave que não se desvela: há caminhadas que não têm retorno, seja em que época for. Não é à luz de Janeiro que se recomenda o abandono dos espaços aquecidos e familiares.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:6pt 0 0;"><span style="font-size:small;font-family:Calibri;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:6pt 0 0;"><span style="font-size:small;font-family:Calibri;"><img class="aligncenter size-full wp-image-99" title="cabo" src="http://imagomundo.files.wordpress.com/2009/01/cabo.jpg?w=480&#038;h=640" alt="cabo" width="480" height="640" /></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:6pt 0 0;"><span style="font-size:small;font-family:Calibri;">Também não é certo se abrirem novos horizontes ao caminhante, nem se tornarem mais suportáveis os limites de seu pequeno mundo Mas há esforços que valem por si, reservando como consolação uma inquietação discreta como ácido corrosivo. Quem se atreva, mesmo do espaço amplo e gelado duma existência sem vagar, consegue atingir o limite onde tudo pode ser contemplado e reavaliado: talvez chegada a 25ª hora, ainda haja tempo e proveito para algo diferente.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:6pt 0 0;"><span style="font-size:small;font-family:Calibri;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:6pt 0 0;"><span style="font-size:small;font-family:Calibri;"><img class="aligncenter size-full wp-image-100" title="stranger-in-a-stranger-land" src="http://imagomundo.files.wordpress.com/2009/01/stranger-in-a-stranger-land_edited-1.jpg?w=497&#038;h=372" alt="stranger-in-a-stranger-land" width="497" height="372" /></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:6pt 0 0;"><span style="font-size:small;font-family:Calibri;">Frequentemente, estes são caminhos de regresso à infância, ao tempo em que os animais falavam, do ar inspirava-se ânimo, o mundo era livre e misterioso. Tanto podem ir aqueles que valorizam o chão que pisam, como os que se perdem com a cabeça no ar, e até esses outros que a enterram sob um monte de obrigações e compromissos. Há sempre um lugar mais a sul para o passarinho aninhado no coração que a nostalgia invernosa fustiga.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:6pt 0 0;"> </p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:6pt 0 0;"><img class="aligncenter size-full wp-image-101" title="angmar" src="http://imagomundo.files.wordpress.com/2009/01/angmar.jpg?w=497&#038;h=272" alt="angmar" width="497" height="272" /></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:6pt 0 0;"><span style="font-size:small;font-family:Calibri;">Ou, então, os caminhos desafiam as alturas e a força com que aí sopram os ventos. Ao mais familiarizado com chão pedregoso e firme, guia-o uma luz sombria que revela passo-a-passo a trilha ascendente. Tantas vezes na ignorância do que o move, o que vai encontrar não imagina.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:6pt 0 0;"><span style="font-size:small;font-family:Calibri;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:6pt 0 0;"><span style="font-size:small;font-family:Calibri;"><img class="aligncenter size-full wp-image-102" title="porta-castelo" src="http://imagomundo.files.wordpress.com/2009/01/porta-castelo.jpg?w=480&#038;h=640" alt="porta-castelo" width="480" height="640" /></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:6pt 0 0;"><span style="font-size:small;font-family:Calibri;">Todos os relatos dos viajantes coincidem nisto: há sempre mais, e mais além, por mais longe que cheguem. Momento terrível, esse de decidir se desistem perante nova passagem proibida, demasiado receosos da alternativa duma trilha em redor dos altos muros. O caminho é marcado por sinais, haja olhos e sensibilidade. Os que prosseguem são aqueles que não regressam para contar.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:6pt 0 0;"><span style="font-size:small;font-family:Calibri;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:6pt 0 0;"><span style="font-size:small;font-family:Calibri;"><img class="aligncenter size-full wp-image-103" title="tundra-em-chamas" src="http://imagomundo.files.wordpress.com/2009/01/tundra-em-chamas.jpg?w=497&#038;h=372" alt="tundra-em-chamas" width="497" height="372" /></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:6pt 0 0;"><span style="font-size:small;font-family:Calibri;">Sem as cores luminosas do Outono, nem o bafo morno e perfumado da Primavera, certamente sem a sombra apaziguadora do Verão, que tem o Inverno para atrair o caminhante para além da promessa do agreste e do inóspito? Atentem-se os sentidos e ouvir-se-ão canções da água que nenhum Verão cantará…</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:6pt 0 0;"><span style="font-size:small;font-family:Calibri;"> <img class="aligncenter size-full wp-image-104" title="blue-river" src="http://imagomundo.files.wordpress.com/2009/01/blue-river.jpg?w=497&#038;h=372" alt="blue-river" width="497" height="372" /></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:6pt 0 0;"> </p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:6pt 0 0;"><span style="font-size:small;font-family:Calibri;">…e cansadas as pernas, esgotado o fôlego, surgem alegrias de cor e luz que só um curto dia de finais de Dezembro oferece, longe do circuito das lojas natalícias e das pistas de ski. O Inverno ainda é mais assustador por ter nome de género masculino, mas espírito feminino. E o temperamento das fêmeas sem cria.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:6pt 0 0;"><span style="font-size:small;font-family:Calibri;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:6pt 0 0;"><span style="font-size:small;font-family:Calibri;"><img class="aligncenter size-full wp-image-105" title="ermida" src="http://imagomundo.files.wordpress.com/2009/01/ermida.jpg?w=480&#038;h=640" alt="ermida" width="480" height="640" /></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:6pt 0 0;"><span style="font-size:small;font-family:Calibri;">Há uma beleza nos bosques, caídas as folhas, só difícil de entender para quem não entenda <em>beleza</em> nos bosques, nem a beleza duma palavra que rime com <em>Teresa</em> ou <em>surpresa</em>. Como há coisas que não se explicam, há que vivê-las e correr perigos. Nas velhas histórias, contadas à lareira nas longas noites de Inverno, quem andasse perdido alegrava-se ao entrever, por entre as ramas do arvoredo, casa solitária bem no meio da floresta. Quase de certeza, aí habitava velha bruxa, espantoso ogre ou coisa ainda mais ruim.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:6pt 0 0;"><span style="font-size:small;font-family:Calibri;"> <img class="aligncenter size-full wp-image-106" title="fog" src="http://imagomundo.files.wordpress.com/2009/01/fog.jpg?w=480&#038;h=640" alt="fog" width="480" height="640" /></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:6pt 0 0;"> </p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:6pt 0 0;"><span style="font-size:small;font-family:Calibri;">Se andar perdido na floresta é perigoso em qualquer altura do ano, no Inverno só pode ser pior: a névoa fantasmagórica, o dia sombrio e as sombras nocturnas se juntam para acordarem temores antigos, medos infantis, modernas neuroses, na companhia sempre atenta duma memória fraca, instável e parasita.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:6pt 0 0;"><span style="font-size:small;font-family:Calibri;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:6pt 0 0;"><span style="font-size:small;font-family:Calibri;"><img class="aligncenter size-full wp-image-107" title="homem-da-casa" src="http://imagomundo.files.wordpress.com/2009/01/homem-da-casa.jpg?w=497&#038;h=372" alt="homem-da-casa" width="497" height="372" /></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:6pt 0 0;"><span style="font-size:small;font-family:Calibri;">Memória nostálgica, casa mirífica duma infância que se recorda feliz <em>e para sempre arruinada</em>: sob o céu cinzento e gélido, sepultado na terra escura e sob mantos de folhas mortas, à mercê das ervas daninhas de culpas imerecidas e de injustiças sofridas <em>nunca esquecidas</em>,</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:6pt 0 0;"><span style="font-size:small;font-family:Calibri;"> <img class="aligncenter size-full wp-image-108" title="blonde-angel" src="http://imagomundo.files.wordpress.com/2009/01/blonde-angel.jpg?w=497&#038;h=372" alt="blonde-angel" width="497" height="372" /></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:6pt 0 0;"> </p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:6pt 0 0;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Calibri;"><span> </span>jaz quem, outrora, num futuro jamais cumprido, poderia ter sido o caminhante. Alguém que ele mesmo sonhou se tornar um dia e não teve coragem de ser. É próprio da sedução do Inverno atrair inocentemente o incauto ao poço sem fundo da pena-de-si- mesmo.</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:6pt 0 0;"><span style="font-size:small;font-family:Calibri;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:6pt 0 0;"><span style="font-size:small;font-family:Calibri;"><img class="aligncenter size-full wp-image-109" title="moura-encantada" src="http://imagomundo.files.wordpress.com/2009/01/moura-encantada.jpg?w=497&#038;h=372" alt="moura-encantada" width="497" height="372" /></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:6pt 0 0;"><span style="font-size:small;font-family:Calibri;">Possuído pela vertigem dos espaços, o caminhante arrisca-se a tombar nos recônditos onde penam <em>encantos </em>que aguardam vorazmente o beijo da vida ou a vida que os alimente. O sal da vida é um grãozinho de loucura que, onde cai, desperta risos e derruba pedestais: sem esse grãozinho o <em>encanto</em> vira serpente rancorosa, rato de esgoto, cão danado ou <em>vira</em><span><em> polícia da xereca da vizinha</em>(*)</span>.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:6pt 0 0;"><span style="font-size:small;font-family:Calibri;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:6pt 0 0;"><span style="font-size:small;font-family:Calibri;"><img class="aligncenter size-full wp-image-110" title="bridge-over-stormy-waters_edited-1" src="http://imagomundo.files.wordpress.com/2009/01/bridge-over-stormy-waters_edited-1.jpg?w=497&#038;h=465" alt="bridge-over-stormy-waters_edited-1" width="497" height="465" /></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:6pt 0 0;"><span style="font-size:small;font-family:Calibri;">Que as opções são sempre dúbias: entre cruzar uma velha ponte que liga <em>não-se-sabe-onde </em>a <em>sabe-se-lá-aonde </em>ou a incerteza evidente de se deixar arrastar pela corrente forte dum estado de alma, nunca se saberá o que se perde e o que se ganha ao certo. A luz invernal é, ao seu modo, benfazeja: convida ao recolhimento. Por vezes, nada melhor do que deixar as memórias expostas aos flocos de neve apaziguadores, abafando emoções fora de tempo.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:6pt 0 0;"><span style="font-size:small;font-family:Calibri;"> <img class="aligncenter size-full wp-image-112" title="moonlight1" src="http://imagomundo.files.wordpress.com/2009/01/moonlight1.jpg?w=497&#038;h=372" alt="moonlight1" width="497" height="372" /></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:6pt 0 0;"> </p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:6pt 0 0;"><span style="font-size:small;font-family:Calibri;">Como o esquecimento, o manto de neve cobre, oculta ou destrói o mundo tal como o conhecíamos, levando a crer que outro mundo é possível. E à luz do luar de Janeiro, quem disso pode ter a mais leve dúvida? </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:6pt 0 0;"><span style="font-size:small;font-family:Calibri;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:6pt 0 0;"><span style="font-size:small;font-family:Calibri;"><img class="aligncenter size-full wp-image-114" title="campo-de-neve" src="http://imagomundo.files.wordpress.com/2009/01/campo-de-neve1.jpg?w=497&#038;h=372" alt="campo-de-neve" width="497" height="372" /></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:6pt 0 0;"><span style="font-size:small;font-family:Calibri;">O nascer do Sol ajuda a reavivar percursos mas quantos se atreverão viajar entre ambos os mundos sem se perderem de quem são, nem perderem a memória do futuro adiado, entre fantasmas, demónios e paixões em carne viva? </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:6pt 0 0;"><span style="font-size:small;font-family:Calibri;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:6pt 0 0;"><span style="font-size:small;font-family:Calibri;"><img class="aligncenter size-full wp-image-115" title="musgo" src="http://imagomundo.files.wordpress.com/2009/01/musgo.jpg?w=497&#038;h=372" alt="musgo" width="497" height="372" /></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:6pt 0 0;"><span style="font-size:small;font-family:Calibri;">Mais cómodo, menos arriscado, quase indolor, é fazer dos desejos pedras lançadas e destinadas a tombarem mais adiante, desaparecendo sob o musgo macio do quotidiano, suportando o líquen parasita da opinião dos outros. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:6pt 0 0;"><span style="font-size:small;font-family:Calibri;"> <img class="aligncenter size-full wp-image-116" title="novo-mundo-boat" src="http://imagomundo.files.wordpress.com/2009/01/novo-mundo-boat.jpg?w=480&#038;h=640" alt="novo-mundo-boat" width="480" height="640" /></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:6pt 0 0;"> </p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:6pt 0 0;"><span style="font-size:small;font-family:Calibri;">Como se a seguir ao Inverno não viesse a Primavera, como se não houvessem praias onde se salvam vidas naufragadas&#8230;como se as pontes não existissem, algures e a todo o tempo, para se prosseguir mais além.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:6pt 0 0;"><span style="font-size:small;font-family:Calibri;"> </span></p>
<address class="MsoNormal"></address>
<p>(*) in &#8220;O coco do coco&#8221; de Guinga e Aldir Blanc, pela voz maravilhosa de Leila Pinheiro</p>
  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/imagomundo.wordpress.com/96/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/imagomundo.wordpress.com/96/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/imagomundo.wordpress.com/96/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/imagomundo.wordpress.com/96/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/imagomundo.wordpress.com/96/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/imagomundo.wordpress.com/96/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/imagomundo.wordpress.com/96/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/imagomundo.wordpress.com/96/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/imagomundo.wordpress.com/96/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/imagomundo.wordpress.com/96/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=imagomundo.wordpress.com&blog=2050481&post=96&subd=imagomundo&ref=&feed=1" /></div>]]></content:encoded>
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		<title>miradouro</title>
		<link>http://imagomundo.wordpress.com/2008/12/03/miradouro/</link>
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		<pubDate>Wed, 03 Dec 2008 12:53:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>pepe</dc:creator>
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		<category><![CDATA[cidade antiga]]></category>
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		<description><![CDATA[A luz vaga chega das águas a horas incertas: são dias que podem ser noites em que o abafar dos ruídos alumia as vozes ou realça sua ausência. 

Quem desce a rua em direção ao rio arrisca-se a perder o sentido das urgências mais vale fazer amanhã o que pode ser feito hoje para viver [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=imagomundo.wordpress.com&blog=2050481&post=42&subd=imagomundo&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p><span style="font-size:14pt;line-height:200%;font-family:'Tw Cen MT Condensed';">A luz vaga chega das águas a horas incertas: são dias <em>que podem ser noites </em>em que o abafar dos ruídos alumia as vozes ou realça sua ausência. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:200%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:14pt;line-height:200%;font-family:'Tw Cen MT Condensed';"><a href="http://imagomundo.files.wordpress.com/2008/12/calem.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-47" title="calem" src="http://imagomundo.files.wordpress.com/2008/12/calem.jpg?w=497&#038;h=229" alt="calem" width="497" height="229" /></a></span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:200%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:14pt;line-height:200%;font-family:'Tw Cen MT Condensed';">Quem desce a rua em direção ao rio arrisca-se a perder o sentido das urgências <em>mais vale fazer amanhã o que pode ser feito hoje </em>para viver o aqui-e-agora-e-sempre. Mistérios que confundem o incauto: “Será da luz filtrado pelo céu? Serão as cores sombrias do casario? Ou será mesmo pela peculiar atmosfera à beira-rio?”<span id="more-42"></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:200%;text-align:justify;margin:0;"> </p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:200%;text-align:justify;margin:0;"> </p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:200%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:14pt;line-height:200%;font-family:'Tw Cen MT Condensed';">Porque o céu da Cidade aprecia a inconstância dos estados de espírito, aborrece as expectativas do lugar-comum, arrepia a pele dos vagamundos. Pela sua aparição súbita tropeçam na calçada os caminhantes surpreendidos.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:200%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:14pt;line-height:200%;font-family:'Tw Cen MT Condensed';"><a href="http://imagomundo.files.wordpress.com/2008/12/city-by-the-river.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-48" title="city-by-the-river" src="http://imagomundo.files.wordpress.com/2008/12/city-by-the-river.jpg?w=497&#038;h=371" alt="city-by-the-river" width="497" height="371" /></a></span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:200%;text-align:justify;margin:0;"> </p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:200%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:14pt;line-height:200%;font-family:'Tw Cen MT Condensed';">A atmosfera densa tanto favorece a melancolia outonal, doença crónica que definha poetas e amarga a reflexão de políticos retirados, </span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:200%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:14pt;line-height:200%;font-family:'Tw Cen MT Condensed';"><a href="http://imagomundo.files.wordpress.com/2008/12/ferreira-borges.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-49" title="ferreira-borges" src="http://imagomundo.files.wordpress.com/2008/12/ferreira-borges.jpg?w=497&#038;h=215" alt="ferreira-borges" width="497" height="215" /></a></span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:200%;text-align:justify;margin:0;"> </p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:200%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:14pt;line-height:200%;font-family:'Tw Cen MT Condensed';">como propicia a euforia são-joanina, essa improvável luxúria que põe em causa as ideias feitas sobre a Cidade.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:200%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:14pt;line-height:200%;font-family:'Tw Cen MT Condensed';"><a href="http://imagomundo.files.wordpress.com/2008/12/manjericos.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-50" title="manjericos" src="http://imagomundo.files.wordpress.com/2008/12/manjericos.jpg?w=497&#038;h=371" alt="manjericos" width="497" height="371" /></a></span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:200%;text-align:justify;margin:0;"> </p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:200%;text-align:justify;margin:0;"> </p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:200%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:14pt;line-height:200%;font-family:'Tw Cen MT Condensed';">Porém, a tormenta sombria que escorre pelas águas profundas <em>como que avisando o Sol de que estes não são céus meridionais </em><span> </span>mancha a fachada das casas viradas ao rio.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:200%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:14pt;line-height:200%;font-family:'Tw Cen MT Condensed';"><a href="http://imagomundo.files.wordpress.com/2008/12/warehouses.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-51" title="warehouses" src="http://imagomundo.files.wordpress.com/2008/12/warehouses.jpg?w=497&#038;h=371" alt="warehouses" width="497" height="371" /></a></span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:200%;text-align:justify;margin:0;"> </p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:200%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:14pt;line-height:200%;font-family:'Tw Cen MT Condensed';">O granito impõe silêncio, levando o desentendido a confundir “sobriedade” com “sombrio”. Esta é uma cidade que oculta a exuberância detrás de fachadas soturnas.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:200%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:14pt;line-height:200%;font-family:'Tw Cen MT Condensed';"><a href="http://imagomundo.files.wordpress.com/2008/12/judiaria.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-52" title="judiaria" src="http://imagomundo.files.wordpress.com/2008/12/judiaria.jpg?w=497&#038;h=371" alt="judiaria" width="497" height="371" /></a></span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:200%;text-align:justify;margin:0;"> </p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:200%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:14pt;line-height:200%;font-family:'Tw Cen MT Condensed';">O povo que calcorreia as ruas parece agitado, afobado de trabalho, impaciente certamente, talvez irritado.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:200%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:14pt;line-height:200%;font-family:'Tw Cen MT Condensed';"><a href="http://imagomundo.files.wordpress.com/2008/12/people.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-53" title="people" src="http://imagomundo.files.wordpress.com/2008/12/people.jpg?w=480&#038;h=640" alt="people" width="480" height="640" /></a></span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:200%;text-align:justify;margin:0;"> </p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:200%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:14pt;line-height:200%;font-family:'Tw Cen MT Condensed';">Porém, tal como o céu sobre a Cidade muda a todo o momento, também os estados de ânimo: há momentos para o reencontro e tempo para deambular pensamentos, para tocar ritmos de quadras em versos de pé-quebrado.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:200%;text-align:justify;margin:0;"> </p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:200%;text-align:justify;margin:0;"> <a href="http://imagomundo.files.wordpress.com/2008/12/igrejaclouds1.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-55" title="deambulando" src="http://imagomundo.files.wordpress.com/2008/12/igrejaclouds1.jpg?w=395&#038;h=569" alt="deambulando" width="395" height="569" /></a></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:200%;text-align:justify;margin:0;"> </p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:200%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:14pt;line-height:200%;font-family:'Tw Cen MT Condensed';">Tem vezes em que a tensão do imprevisto desencadeia zaragatas, solta impropérios escatológicos, revela linhagens bastardas, atira lama à reputação materna. Quem é “de fora” é mirado de alto a baixo, desafiado no olhar e na pose: há momentos para refazer os passos em sentido inverso, procurar outra ruela e seguir adiante.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:200%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:14pt;line-height:200%;font-family:'Tw Cen MT Condensed';"><a href="http://imagomundo.files.wordpress.com/2008/12/bad-girl.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-56" title="bad-girl" src="http://imagomundo.files.wordpress.com/2008/12/bad-girl.jpg?w=480&#038;h=496" alt="bad-girl" width="480" height="496" /></a></span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:200%;text-align:justify;margin:0;"> </p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:200%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:14pt;line-height:200%;font-family:'Tw Cen MT Condensed';">As vetustas paredes da Catedral recordam tempos belicosos, rivalidades acesas entre a ordem instituída e os poderes fácticos, revoltas e revoluções. Ainda hoje, supõe-se, velhos guardiões zelam pelo respeito da autarcia.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:200%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:14pt;line-height:200%;font-family:'Tw Cen MT Condensed';"><a href="http://imagomundo.files.wordpress.com/2008/12/old-timer.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-57" title="old-timer" src="http://imagomundo.files.wordpress.com/2008/12/old-timer.jpg?w=497&#038;h=408" alt="old-timer" width="497" height="408" /></a></span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:200%;text-align:justify;margin:0;"> </p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:200%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:14pt;line-height:200%;font-family:'Tw Cen MT Condensed';">Ao caminhante estranho a tudo isto, a Cidade confunde pela constância do rio, pela volubilidade do céu. Como se o dia e a noite fossem só a alternância do claro-escuro…</span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:200%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:14pt;line-height:200%;font-family:'Tw Cen MT Condensed';"><a href="http://imagomundo.files.wordpress.com/2008/12/road-to-heaven.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-58" title="road-to-heaven" src="http://imagomundo.files.wordpress.com/2008/12/road-to-heaven.jpg?w=480&#038;h=640" alt="road-to-heaven" width="480" height="640" /></a></span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:200%;text-align:justify;margin:0;"> </p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:200%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:14pt;line-height:200%;font-family:'Tw Cen MT Condensed';">Ao anoitecer a Cidade muda sem em nada se alterar, acendendo luzes que servem menos para orientar do que para desviar do caminho recto.<span>  </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:200%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:14pt;line-height:200%;font-family:'Tw Cen MT Condensed';"><span><a href="http://imagomundo.files.wordpress.com/2008/12/lights-over-the-city.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-59" title="lights-over-the-city" src="http://imagomundo.files.wordpress.com/2008/12/lights-over-the-city.jpg?w=497&#038;h=372" alt="lights-over-the-city" width="497" height="372" /></a></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:200%;text-align:justify;margin:0;"> </p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:200%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:14pt;line-height:200%;font-family:'Tw Cen MT Condensed';">Até começar o jogo das sombras que envolverá o viajante, levando-o a perder-se sem esperança de voltar a reencontrar-se tal qual era: é que apesar da estreiteza das ruas que escondem a Lua, os telhados, beirais e torreões brilham sob sua luz e nenhum gato resiste ao chamado.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:200%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:14pt;line-height:200%;font-family:'Tw Cen MT Condensed';"><a href="http://imagomundo.files.wordpress.com/2008/12/moonspell1.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-61" title="moonspell1" src="http://imagomundo.files.wordpress.com/2008/12/moonspell1.jpg?w=497&#038;h=304" alt="moonspell1" width="497" height="304" /></a></span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:200%;text-align:justify;margin:0;"> </p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:200%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:14pt;line-height:200%;font-family:'Tw Cen MT Condensed';">Mesmo para quem se refugie entre quatro paredes, a Cidade permanece como uma obsessão que atrai e se mete olhos adentro sem se insinuar, nem se intrometendo.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:200%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:14pt;line-height:200%;font-family:'Tw Cen MT Condensed';"><a href="http://imagomundo.files.wordpress.com/2008/12/janela.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-62" title="janela" src="http://imagomundo.files.wordpress.com/2008/12/janela.jpg?w=480&#038;h=640" alt="janela" width="480" height="640" /></a></span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:200%;text-align:justify;margin:0;"> </p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:200%;text-align:justify;margin:0;"> </p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:200%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:14pt;line-height:200%;font-family:'Tw Cen MT Condensed';">Se bem que o Sol não seja arredio destas paragens, ao contrário da imagem feita da cidade triste e cinzenta: aqui há cor, vida e luz. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:200%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:14pt;line-height:200%;font-family:'Tw Cen MT Condensed';"><a href="http://imagomundo.files.wordpress.com/2008/12/roupa-ao-sol.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-63" title="roupa-ao-sol" src="http://imagomundo.files.wordpress.com/2008/12/roupa-ao-sol.jpg?w=497&#038;h=393" alt="roupa-ao-sol" width="497" height="393" /></a></span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:200%;text-align:justify;margin:0;"> </p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:200%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:14pt;line-height:200%;font-family:'Tw Cen MT Condensed';">Na verdade, é essa luz uma variação dos contrastes que sobressaltam o visitante desprevenido, receoso das sombras, incomodado pela omnipresença do granito e pela indiferença <em>aparente?</em><span>  </span>dos moradores.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:200%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:14pt;line-height:200%;font-family:'Tw Cen MT Condensed';"><a href="http://imagomundo.files.wordpress.com/2008/12/solar.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-64" title="solar" src="http://imagomundo.files.wordpress.com/2008/12/solar.jpg?w=480&#038;h=640" alt="solar" width="480" height="640" /></a></span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:200%;text-align:justify;margin:0;"> </p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:200%;text-align:justify;margin:0;"> </p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:200%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:14pt;line-height:200%;font-family:'Tw Cen MT Condensed';">Mas como negar à Cidade o atributo da cor? Como não ver nela a melancolia dos dias cinzentos? Como não perceber a cumplicidade entre o céu e o rio?</span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:200%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:14pt;line-height:200%;font-family:'Tw Cen MT Condensed';"><a href="http://imagomundo.files.wordpress.com/2008/12/cais.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-65" title="cais" src="http://imagomundo.files.wordpress.com/2008/12/cais.jpg?w=497&#038;h=371" alt="cais" width="497" height="371" /></a></span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:200%;text-align:justify;margin:0;"> </p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:200%;text-align:justify;margin:0;"> </p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:200%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:14pt;line-height:200%;font-family:'Tw Cen MT Condensed';">Não são as nuvens da mesma água com que o rio rompe a Cidade em duas? O laborioso esforço, a férrea determinação temperada pela vontade em abraçar ambas as margens, esses são atributos do povo discreto que aí habita.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:200%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:14pt;line-height:200%;font-family:'Tw Cen MT Condensed';"><a href="http://imagomundo.files.wordpress.com/2008/12/black-bridge.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-66" title="black-bridge" src="http://imagomundo.files.wordpress.com/2008/12/black-bridge.jpg?w=497&#038;h=372" alt="black-bridge" width="497" height="372" /></a></span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:200%;text-align:justify;margin:0;"> </p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:200%;text-align:justify;margin:0;"> </p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:200%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:14pt;line-height:200%;font-family:'Tw Cen MT Condensed';">E que jamais foi ingrato para com o rio, mantendo com ele a intimidade possível, </span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:200%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:14pt;line-height:200%;font-family:'Tw Cen MT Condensed';"><a href="http://imagomundo.files.wordpress.com/2008/12/cais-rio.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-67" title="cais-rio" src="http://imagomundo.files.wordpress.com/2008/12/cais-rio.jpg?w=479&#038;h=640" alt="cais-rio" width="479" height="640" /></a></span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:200%;text-align:justify;margin:0;"> </p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:200%;text-align:justify;margin:0;"> </p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:200%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:14pt;line-height:200%;font-family:'Tw Cen MT Condensed';">orgulhando-se da sua presença, mas apreciando-o a segura <em>segura?<span>  </span></em>distância. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:200%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:14pt;line-height:200%;font-family:'Tw Cen MT Condensed';"><a href="http://imagomundo.files.wordpress.com/2008/12/houses-over-the-river.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-68" title="houses-over-the-river" src="http://imagomundo.files.wordpress.com/2008/12/houses-over-the-river.jpg?w=479&#038;h=640" alt="houses-over-the-river" width="479" height="640" /></a></span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:200%;text-align:justify;margin:0;"> </p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:200%;text-align:justify;margin:0;"> </p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:200%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:14pt;line-height:200%;font-family:'Tw Cen MT Condensed';">Nem a memória dos Homens é tão curta que esqueça como este rio devora quem nele caia, principalmente nas horas de maior aflição, </span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:200%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:14pt;line-height:200%;font-family:'Tw Cen MT Condensed';"><a href="http://imagomundo.files.wordpress.com/2008/12/alminhas.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-69" title="alminhas" src="http://imagomundo.files.wordpress.com/2008/12/alminhas.jpg?w=479&#038;h=640" alt="alminhas" width="479" height="640" /></a></span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:200%;text-align:justify;margin:0;"> </p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:200%;text-align:justify;margin:0;"> </p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:200%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:14pt;line-height:200%;font-family:'Tw Cen MT Condensed';">nem suas águas profundas se deixam amansar com preces, votos, muito menos com templos consagrados ao Altíssimo.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:200%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:14pt;line-height:200%;font-family:'Tw Cen MT Condensed';"><a href="http://imagomundo.files.wordpress.com/2008/12/capela-beira-rio.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-70" title="capela-beira-rio" src="http://imagomundo.files.wordpress.com/2008/12/capela-beira-rio.jpg?w=497&#038;h=371" alt="capela-beira-rio" width="497" height="371" /></a></span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:200%;text-align:justify;margin:0;"> </p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:200%;text-align:justify;margin:0;"> </p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:200%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:14pt;line-height:200%;font-family:'Tw Cen MT Condensed';">Temperamental, caprichoso, vingativo, mas não é verdade que tenha sido por ele que a Cidade se dividisse em duas, pois a Cidade ergueu-se em ambas as margens e dos nomes delas se deu nome a uma nação. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:200%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:14pt;line-height:200%;font-family:'Tw Cen MT Condensed';"><a href="http://imagomundo.files.wordpress.com/2008/12/torre-clerigos.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-71" title="torre-clerigos" src="http://imagomundo.files.wordpress.com/2008/12/torre-clerigos.jpg?w=409&#038;h=585" alt="torre-clerigos" width="409" height="585" /></a></span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:200%;text-align:justify;margin:0;"> </p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:200%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:14pt;line-height:200%;font-family:'Tw Cen MT Condensed';">Nem ele se nega à carga posta no lombo largo e forte.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:200%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:14pt;line-height:200%;font-family:'Tw Cen MT Condensed';"><a href="http://imagomundo.files.wordpress.com/2008/12/guindaste.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-72" title="guindaste" src="http://imagomundo.files.wordpress.com/2008/12/guindaste.jpg?w=497&#038;h=372" alt="guindaste" width="497" height="372" /></a></span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:200%;text-align:justify;margin:0;"> </p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:200%;text-align:justify;margin:0;"> </p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:200%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:14pt;line-height:200%;font-family:'Tw Cen MT Condensed';">Entre o rio e a Cidade criou-se um traço de união entre o Norte e o Sul</span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:200%;text-align:justify;margin:0;"> </p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:200%;text-align:justify;margin:0;"><a href="http://imagomundo.files.wordpress.com/2008/12/novomundo_edited-1.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-91" title="novomundo" src="http://imagomundo.files.wordpress.com/2008/12/novomundo_edited-1.jpg?w=336&#038;h=448" alt="novomundo" width="336" height="448" /></a> </p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:200%;text-align:justify;margin:0;"> </p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:200%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:14pt;line-height:200%;font-family:'Tw Cen MT Condensed';"> e também entre o Interior Profundo e o Litoral: tornou-se porto de chegada para os que desciam do País Vinhateiro, dando nome ao tesouro alquímico das terras de xisto </span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:200%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:14pt;line-height:200%;font-family:'Tw Cen MT Condensed';"><a href="http://imagomundo.files.wordpress.com/2008/12/casa-amarela.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-74" title="casa-amarela" src="http://imagomundo.files.wordpress.com/2008/12/casa-amarela.jpg?w=497&#038;h=294" alt="casa-amarela" width="497" height="294" /></a></span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:200%;text-align:justify;margin:0;"> </p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:200%;text-align:justify;margin:0;"> </p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:200%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:14pt;line-height:200%;font-family:'Tw Cen MT Condensed';">e tornou-se porto de partida para os que debandam mar afora na faina, </span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:200%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:14pt;line-height:200%;font-family:'Tw Cen MT Condensed';"><a href="http://imagomundo.files.wordpress.com/2008/12/afurada1.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-76" title="afurada1" src="http://imagomundo.files.wordpress.com/2008/12/afurada1.jpg?w=497&#038;h=372" alt="afurada1" width="497" height="372" /></a></span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:200%;text-align:justify;margin:0;"> </p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:200%;text-align:justify;margin:0;"> <span style="font-size:14pt;line-height:200%;font-family:'Tw Cen MT Condensed';">a mercar ou a navegar para mundos novos.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:200%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:14pt;line-height:200%;font-family:'Tw Cen MT Condensed';"><a href="http://imagomundo.files.wordpress.com/2008/12/boat-sailing-to-the-sunset.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-77" title="boat-sailing-to-the-sunset" src="http://imagomundo.files.wordpress.com/2008/12/boat-sailing-to-the-sunset.jpg?w=480&#038;h=640" alt="boat-sailing-to-the-sunset" width="480" height="640" /></a></span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:200%;text-align:justify;margin:0;"> </p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:200%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:14pt;line-height:200%;font-family:'Tw Cen MT Condensed';">Outrora, a sua face atlântica parecia abandonada; hoje é notória a avidez pela faixa litoral. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:200%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:14pt;line-height:200%;font-family:'Tw Cen MT Condensed';"><a href="http://imagomundo.files.wordpress.com/2008/12/cidade-da-praia.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-78" title="cidade-da-praia" src="http://imagomundo.files.wordpress.com/2008/12/cidade-da-praia.jpg?w=497&#038;h=450" alt="cidade-da-praia" width="497" height="450" /></a></span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:200%;text-align:justify;margin:0;"> </p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:200%;text-align:justify;margin:0;"> </p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:200%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:14pt;line-height:200%;font-family:'Tw Cen MT Condensed';">Aqueles que chegam à Cidade por mar não adivinham o que vão encontrar e, quando chegam , cedo se apercebem do prodígio das torres sineiras dominando o horizonte ou o enigma das muralhas ocultas entre as casas. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:200%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:14pt;line-height:200%;font-family:'Tw Cen MT Condensed';"><a href="http://imagomundo.files.wordpress.com/2008/12/cidade-velha1.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-80" title="cidade-velha1" src="http://imagomundo.files.wordpress.com/2008/12/cidade-velha1.jpg?w=497&#038;h=371" alt="cidade-velha1" width="497" height="371" /></a></span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:200%;text-align:justify;margin:0;"> </p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:200%;text-align:justify;margin:0;"> </p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:200%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:14pt;line-height:200%;font-family:'Tw Cen MT Condensed';">Ainda mal foram expostos à atmosfera do rio, marcando o casario com luz turva, sombria, em jogo de luz com o céu túrgido, alterado, já se sentem eles mesmos alterados, sombrios e pensativos.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:200%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:14pt;line-height:200%;font-family:'Tw Cen MT Condensed';"><a href="http://imagomundo.files.wordpress.com/2008/12/narrow-street.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-81" title="narrow-street" src="http://imagomundo.files.wordpress.com/2008/12/narrow-street.jpg?w=497&#038;h=372" alt="narrow-street" width="497" height="372" /></a></span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:200%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:14pt;line-height:200%;font-family:'Tw Cen MT Condensed';">Quem venha do rio e ponha o pé em terra, subindo as ruas que partem do cais, sofre a melancolia das ruas devassadas por janelas viradas para dentro, sob o céu ominoso, guiado pela candeia solitária que não alumia, mas atrai.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:200%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:14pt;line-height:200%;font-family:'Tw Cen MT Condensed';"><a href="http://imagomundo.files.wordpress.com/2008/12/rua-1.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-82" title="rua-1" src="http://imagomundo.files.wordpress.com/2008/12/rua-1.jpg?w=480&#038;h=640" alt="rua-1" width="480" height="640" /></a></span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:200%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:14pt;line-height:200%;font-family:'Tw Cen MT Condensed';">Desencontrando-se assim de si mesmo, engolido por vielas, rompendo solas em degraus íngremes, na ânsia dum encontro </span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:200%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:14pt;line-height:200%;font-family:'Tw Cen MT Condensed';"><a href="http://imagomundo.files.wordpress.com/2008/12/escadaria.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-83" title="escadaria" src="http://imagomundo.files.wordpress.com/2008/12/escadaria.jpg?w=353&#038;h=542" alt="escadaria" width="353" height="542" /></a></span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:200%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:14pt;line-height:200%;font-family:'Tw Cen MT Condensed';">ou dum mira douro que dê orientação a este labirinto.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:200%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:14pt;line-height:200%;font-family:'Tw Cen MT Condensed';"><a href="http://imagomundo.files.wordpress.com/2008/12/roofs.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-84" title="roofs" src="http://imagomundo.files.wordpress.com/2008/12/roofs.jpg?w=497&#038;h=371" alt="roofs" width="497" height="371" /></a></span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:200%;text-align:justify;margin:0;"> </p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:200%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:14pt;line-height:200%;font-family:'Tw Cen MT Condensed';">E subindo, subindo cada vez mais, na companhia das escarpas, desconfortável com a extensão dos muros, aferrolhados os portões que negam passagem a improváveis moradas de gente silenciosa e vaga.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:200%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:14pt;line-height:200%;font-family:'Tw Cen MT Condensed';"><a href="http://imagomundo.files.wordpress.com/2008/12/casas-da-escada.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-85" title="casas-da-escada" src="http://imagomundo.files.wordpress.com/2008/12/casas-da-escada.jpg?w=389&#038;h=544" alt="casas-da-escada" width="389" height="544" /></a></span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:200%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:14pt;line-height:200%;font-family:'Tw Cen MT Condensed';">Até chegar ao limite vertical onde a Cidade se expõe sem se revelar, desafiando qualquer leitura e toda a comparação. Um vórtex que atrai novamente o incauto em sentido descendente, no sentido do rio, das águas turvas e profundas <em>que é como quem diz “há horas do diabo!”</em> como promessa de apaziguamento, borrando memórias lancinantes e vivências insuportáveis. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:200%;text-align:justify;margin:0;"> <span style="font-size:14pt;line-height:200%;font-family:'Tw Cen MT Condensed';"><a href="http://imagomundo.files.wordpress.com/2008/12/dread-arribas1.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-87" title="arribas1" src="http://imagomundo.files.wordpress.com/2008/12/dread-arribas1.jpg?w=344&#038;h=493" alt="arribas1" width="344" height="493" /></a></span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:200%;text-align:justify;margin:0;"> </p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:200%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:14pt;line-height:200%;font-family:'Tw Cen MT Condensed';">Aquele que domina a tontura, resiste à vertigem e mantém-se firme com ambos os pés bem assentes no chão granítico, pode refazer seus passos em sentido contrário, descendo sem pressa e, de passagem, agradecer a algum anjo protector,</span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:200%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:14pt;line-height:200%;font-family:'Tw Cen MT Condensed';"><span style="font-size:14pt;line-height:200%;font-family:'Tw Cen MT Condensed';"><a href="http://imagomundo.files.wordpress.com/2008/12/santana.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-89" title="sant'ana" src="http://imagomundo.files.wordpress.com/2008/12/santana.jpg?w=480&#038;h=603" alt="sant'ana" width="480" height="603" /></a></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:200%;text-align:justify;margin:0;"> </p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:200%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:14pt;line-height:200%;font-family:'Tw Cen MT Condensed';"> a uma simples ave benfazeja ou o que quer que haja que o mantém agarrado ao mundo.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:200%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:14pt;line-height:200%;font-family:'Tw Cen MT Condensed';"><a href="http://imagomundo.files.wordpress.com/2008/12/seagull.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-88" title="seagull" src="http://imagomundo.files.wordpress.com/2008/12/seagull.jpg?w=497&#038;h=240" alt="seagull" width="497" height="240" /></a></span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:200%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:14pt;line-height:200%;font-family:'Tw Cen MT Condensed';"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:200%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:14pt;line-height:200%;font-family:'Tw Cen MT Condensed';"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:200%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:14pt;line-height:200%;font-family:'Tw Cen MT Condensed';"> </span></p>
  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/imagomundo.wordpress.com/42/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/imagomundo.wordpress.com/42/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/imagomundo.wordpress.com/42/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/imagomundo.wordpress.com/42/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/imagomundo.wordpress.com/42/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/imagomundo.wordpress.com/42/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/imagomundo.wordpress.com/42/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/imagomundo.wordpress.com/42/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/imagomundo.wordpress.com/42/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/imagomundo.wordpress.com/42/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=imagomundo.wordpress.com&blog=2050481&post=42&subd=imagomundo&ref=&feed=1" /></div>]]></content:encoded>
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		<title>o labor da memória</title>
		<link>http://imagomundo.wordpress.com/2008/05/23/o-labor-da-memoria/</link>
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		<pubDate>Fri, 23 May 2008 19:00:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>pepe</dc:creator>
				<category><![CDATA[memória]]></category>
		<category><![CDATA[mundo]]></category>
		<category><![CDATA[tempo]]></category>

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		<description><![CDATA[Até o mais familiar dos percursos pode ser amedrontador: basta levantar os olhos e deixar-se surpreender pela luz do céu sempre em mutação. Há fragmentos da cidade que levam o caminhante a questionar-se sobre o tempo que passa, possuído pela nostalgia dum tempo que não é o seu.

Nem a segurança das ideias feitas, seja uma [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=imagomundo.wordpress.com&blog=2050481&post=43&subd=imagomundo&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>Até o mais familiar dos percursos pode ser amedrontador: basta levantar os olhos e deixar-se surpreender pela luz do céu sempre em mutação. Há fragmentos da cidade que levam o caminhante a questionar-se sobre o tempo que passa, possuído pela nostalgia dum tempo que não é o seu.</p>
<p><img src="http://fotos.sapo.pt/GtINfK8ozAgOphDJScbE/" alt="" width="501" height="419" /></p>
<p>Nem a segurança das ideias feitas, seja uma algibeira delas prontas-a-usar, sejam seiscentas dúzias de fórmulas que resumam a variedade do mundo, sossegam quem for apanhado pelo gérmen da inquietação. Será esta a origem do &#8220;espanto&#8221; dos antigos gregos?<span id="more-43"></span></p>
<p><img src="http://fotos.sapo.pt/cANaTz7qGu5u6RMil6vk/" alt="" /></p>
<p> Poderá o mesmo homem ser besta de carga dos conhecimentos alheios e, simultâneamente, ser navegante quinhentista, salteador de tumbas, condutor da sua vida?</p>
<p><img src="http://fotos.sapo.pt/vni8sT6HjzOZMVrlEtn8/" alt="" /></p>
<p>O Tempo impõe um sentido e os Homens tentam marcar-lhe o ritmo, iludindo-se que o espaço construído e onde vivem esteja subordinado ao sentido que dão às coisas, enquadrado num calendário perpétuo onde tudo, e todos, têm o seu lugar.</p>
<p><img src="http://fotos.sapo.pt/EZ2l1OczQdhR4hMgqcId/" alt="" /></p>
<p>Se há algum sentido no tempo que passa, é o da finitude: onde está o orgulho de quem assomava a esta janela, chamando de seu tudo quanto a vista abarcasse? Terão estas colunas retorcidas testemunhado algum amor impossível, proibido e condenado? Talvez daqui fosse dada ordem para um combate sem quartel&#8230;<em>mas quem, e a quem, contra quem e com que fortuna? </em></p>
<p>Hoje, podem mais as heras do olvido do que a memória das pedras. </p>
<p><img src="http://fotos.sapo.pt/zrJAb7zrESnYO4BWgziq/" alt="" /></p>
<p>Há quem não se conforme, contudo, e desenvolva as artes e os saberes para que voltem a ecoar línguas mortas, fazendo regressar os que partiram para sempre, reerguendo das ruínas obra feita e actos falhados.</p>
<p>Quanta da memória colectiva assenta nessa inquietação em <em>saber</em>? De reconstruir, de repor a peça que falta no puzzle?&#8230; </p>
<p><img src="http://fotos.sapo.pt/FcAgSphne1uNrAkiBjMK/" alt="" /></p>
<p>Mesmo, até, quando alguém se lembrara de retirar uma &#8220;pedra bonita&#8221; do seu original enquadramento, levando-a para longe no desejo pueril de se imortalizar numa parede, criar nome, reputação e fazer história para ser recordada até ao fim dos tempos&#8230;</p>
<p><img src="http://fotos.sapo.pt/8MugWbvjYB1oYaYuKJCV/" alt="" /></p>
<p>O culto da memória, a veneração pelos tempos antigos, tanto despertou paixões em austeros claustros das serranias inóspitas, como seduziu mais do que um padre-cura zeloso da sua vinha e apreciador da boa-mesa.</p>
<p>Ainda que, aos olhos de hoje, este labor muitas vezes resultasse em lendas douradas e narrativas inverosímeis, foi o sopro dessa paixão que animou outros estudos, outras paixões de maior rigor e autenticidade.</p>
<p><img src="http://fotos.sapo.pt/mFwpDBkEqjo80p4uiEqO/" alt="" /></p>
<p>Não será o prazer contemporâneo em divagar pelos povoados com traça historica devedor do trabalho de uns e de outros? É a mesma paixão que mantém, ainda hoje, o velho casario</p>
<p><img src="http://fotos.sapo.pt/8MwBzHm6rszqMZgsE12G/" alt="" /></p>
<p>e reconstitui (de modo fantasioso, quantas vezes!) torreões, ameias e muralhas que não eram mais do que muros abandonados.</p>
<p>Esse prazer, essa paixão, alimentada ao longo dos séculos, não prejudica a beleza dos campos de cerais que agora cobrem antigo terreiro de luta, campo santo de anónimos antepassados, templo obscuro de deuses desconhecidos ou inexpugnável fortaleza rendida à erosão das eras.</p>
<p><img src="http://fotos.sapo.pt/bACijRpzWgSzziKFKUhk/" alt="" /></p>
<p>Isolados ou em grupos, estes são os novos invasores, peregrinos actuais, acorrendo às cidades onde possam descobrir raízes, referências: o que para uns é arte antiga, para outros é eco remoto. Ou interpelação desconcertante, paixão súbita e fulminante.</p>
<p><img src="http://fotos.sapo.pt/5FUz5rJ1I1oYEc5ZHWPd/" alt="" /></p>
<p>Sem que nada disso obste à busca dos arcanos no mundo natural, onde o coaxar das rãs fala da cidade submersa no fundo da lagoa, a casca do velho freixo exibe, ainda, marcas dos chifres de gamo branco e as lavandiscas são disfarce para uma presença feminina e ambígua.</p>
<p><img src="http://fotos.sapo.pt/eGnpz1rUIu2ppa1vq33t/" alt="" /></p>
<p>O que marca nosso olhar anacrónico é a simbiose aparente entre o mundo natural e o mundo humano desses tempos. Mesmo quando a lenda conta como D.Sapo não abdicou do direito &#8220;à pernada&#8221; e obrigava as noivas a passarem a primeira noite de casadas no seu torreão.</p>
<p><img src="http://fotos.sapo.pt/AHuQbV1GcaUa195lizCZ/" alt="" /></p>
<p>Mesmo quando os campos crestados pela geada recordam tempos duros em que a próxima refeição era uma miragem, não havendo sequer certeza da lenha ser suficiente para um Inverno mais longo e rigoroso.</p>
<p><img src="http://fotos.sapo.pt/aUdLPYaFZUgIzgH1a9Ej/" alt="" /></p>
<p>Dum modo ou do outro, ao viajante curioso se abrem as portas da percepção se for bafejado por um grãozinho de loucura e deixar a poesia latejar sem controle, podendo assim descobrir os segredos ocultos em si mesmo.</p>
<p><img src="http://fotos.sapo.pt/nztDWlUHTfA8uA0QRUJb/" alt="" /></p>
<p><em>&#8220;Novos mundos, ao mundo irão mostrando.&#8221;</em></p>
<img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/imagomundo.wordpress.com/43/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/imagomundo.wordpress.com/43/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/imagomundo.wordpress.com/43/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/imagomundo.wordpress.com/43/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/imagomundo.wordpress.com/43/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/imagomundo.wordpress.com/43/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/imagomundo.wordpress.com/43/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/imagomundo.wordpress.com/43/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/imagomundo.wordpress.com/43/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/imagomundo.wordpress.com/43/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/imagomundo.wordpress.com/43/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/imagomundo.wordpress.com/43/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=imagomundo.wordpress.com&blog=2050481&post=43&subd=imagomundo&ref=&feed=1" /></div>]]></content:encoded>
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		<title>rio adentro</title>
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		<pubDate>Mon, 31 Mar 2008 21:57:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>pepe</dc:creator>
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		<description><![CDATA[
As águas sempre tiveram um encanto perigoso, iludindo quem passa num jogo de reflexos e transparências. E porque haveriam suas imagens ser menos verdadeiras, porque teria de ser seu fundo mais apaziguador? Tranquilas à superfície, nada dizem da agitação que as move. Ou dizem muito… se calhar, dizem mesmo tudo. Talvez só o digam a [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=imagomundo.wordpress.com&blog=2050481&post=26&subd=imagomundo&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p align="left"><a href="http://imagomundo.files.wordpress.com/2008/03/bridge-over-stormy-waters_edited-1.jpg" title="bridge-over-stormy-waters_edited-1.jpg"><img width="586" src="http://imagomundo.files.wordpress.com/2008/03/bridge-over-stormy-waters_edited-1.jpg?w=586&#038;h=464" alt="bridge-over-stormy-waters_edited-1.jpg" height="464" /></a></p>
<p align="left"><span style="font-size:14pt;line-height:150%;font-family:'Tw Cen MT';">As águas sempre tiveram um encanto perigoso, iludindo quem passa num jogo de reflexos e transparências. E porque haveriam suas imagens ser menos verdadeiras, porque teria de ser seu fundo mais apaziguador? Tranquilas à superfície, nada dizem da agitação que as move. Ou dizem muito… se calhar, dizem mesmo tudo. Talvez só o digam a quem nelas se afundar…</span></p>
<p align="left"><span id="more-26"></span></p>
<p align="left"><a href="http://imagomundo.files.wordpress.com/2008/03/castle-upon-river.jpg" title="castle-upon-river.jpg"></a></p>
<p align="left"><a href="http://imagomundo.files.wordpress.com/2008/03/bush-river.jpg" title="bush-river.jpg"><img src="http://imagomundo.files.wordpress.com/2008/03/bush-river.jpg" alt="bush-river.jpg" /></a></p>
<p align="left"><span style="font-size:14pt;font-family:'Tw Cen MT';">Quem siga por estas vias entra num mosaico de luz e sombra, mas só se perdem aqueles que não aprenderem a evitar a luz do sol, só se encontram os que desaparecem na penumbra. Aqui, os pássaros cantam para afastar intrusos ou soltam avisos agudos e urgentes, como quem grita <i>Vem gente!</i> De dia, como de noite, o silêncio é santo e senha para aqueles que querem entrar neste mundo</span></p>
<p align="left"><a href="http://imagomundo.files.wordpress.com/2008/03/boatman1.jpg" title="boatman1.jpg"><img src="http://imagomundo.files.wordpress.com/2008/03/boatman1.jpg" alt="boatman1.jpg" /></a></p>
<p align="left"><span style="font-size:14pt;line-height:150%;font-family:'Tw Cen MT';">Mais raros e elusivos são aqueles que ainda conhecem os antigos leitos fluviais: ocultos do olhar alheio, manobram, silenciosa e discretamente, a barcaça que os leva. Sem ruído e sem pressa, como convém a quem segue o sável, cobiça a lampreia e aguarda pela enguia. E por temor aos encantos de mouras e marinhas.</span></p>
<p align="left"><a href="http://imagomundo.files.wordpress.com/2008/03/castle-upon-river.jpg" title="castle-upon-river.jpg"><img width="613" src="http://imagomundo.files.wordpress.com/2008/03/castle-upon-river.jpg" alt="castle-upon-river.jpg" height="346" /></a></p>
<p align="left" style="text-indent:35.45pt;line-height:150%;text-align:justify;margin:0;" class="MsoNormal"><span style="font-size:14pt;line-height:150%;font-family:'Tw Cen MT';">À noite é que mais se agitam os trilhos que vão dar às águas. Em ambos sentidos, como muito caçador aprendeu às próprias custas. Ao sol, os penedos grandes que atraem o olhar de quem passa são grandes penedos. Nas noites de luar, revelam-se naquilo que são: castelos esquecidos da memória dos Homens, palácios encantados onde se acoita a Serpe.</span></p>
<p align="left">&nbsp;</p>
<p align="left"><a href="http://imagomundo.files.wordpress.com/2008/03/early-morning-meadows.jpg" title="early-morning-meadows.jpg"><img src="http://imagomundo.files.wordpress.com/2008/03/early-morning-meadows.jpg" alt="early-morning-meadows.jpg" /></a></p>
<p align="left"><span style="font-size:14pt;line-height:150%;font-family:'Tw Cen MT';">Com a madrugada coberta pela geada, reforça-se o silêncio. Mesmo quando o sol nasce e os pássaros vigilantes dão uma nota alegre. Ou não cantasse o rio este estribilho: <i>nada do que é, será/ ninguém, nestas águas, duas vezes banho tomará.</i></span></p>
<p align="left"><a href="http://imagomundo.files.wordpress.com/2008/03/in-the-river.jpg" title="in-the-river.jpg"><img width="502" src="http://imagomundo.files.wordpress.com/2008/03/in-the-river.jpg" alt="in-the-river.jpg" height="451" /></a></p>
<p align="left"><span style="font-size:14pt;line-height:150%;font-family:'Tw Cen MT';">Os Homens não se dão bem com o mundo selvagem e incerto: contra a força da corrente impuseram seu ritmo, contra luas e marés ultrapassaram limites, contra ventos e baixios abriram rotas e canais. Com pequenas embarcações de madeira, movidas a remo ou à vela ou monstros de ferro e aço puxados a cavalos-vapor.</span></p>
<p align="left"><a href="http://imagomundo.files.wordpress.com/2008/03/old-harbour.jpg" title="old-harbour.jpg"><img width="584" src="http://imagomundo.files.wordpress.com/2008/03/old-harbour.jpg" alt="old-harbour.jpg" height="442" /></a></p>
<p align="left"><span style="font-size:14pt;line-height:150%;font-family:'Tw Cen MT';">Alterando a fisionomia dos rios, indiferentes à vida que estes abrigam. Mas, tantas vezes, encalhados por excesso de calado, assoreadas as saídas para o mar a ponto de as fechar, na ânsia de domesticar as águas e pô-las a seu serviço. Os espíritos do Tempo e das Águas fazem o resto, cobrindo de ferrugem e limo naves envelhecidas,</span></p>
<p align="left"><a href="http://imagomundo.files.wordpress.com/2008/03/velho-estaleiro.jpg" title="velho-estaleiro.jpg"><img src="http://imagomundo.files.wordpress.com/2008/03/velho-estaleiro.jpg" alt="velho-estaleiro.jpg" /></a></p>
<p align="left"><span style="font-size:14pt;line-height:150%;font-family:'Tw Cen MT';">velando numa aura romântica as indústrias quase extintas, numa demonstração de que os encantos reaparecem onde menos se espera, esquecidos foram seus nomes. Mais do que um caçador de borboletas, de sonhos ou de lendas, se deixou enfeitiçar por esses horrores mutilados, traídos e abandonados.</span></p>
<p align="left"><a href="http://imagomundo.files.wordpress.com/2008/03/sucata.jpg" title="sucata.jpg"></a></p>
<p align="left"><a href="http://imagomundo.files.wordpress.com/2008/03/barco-novo-mundo.jpg" title="barco-novo-mundo.jpg"><img src="http://imagomundo.files.wordpress.com/2008/03/barco-novo-mundo.jpg" alt="barco-novo-mundo.jpg" /></a></p>
<p align="left"><span style="font-size:14pt;line-height:150%;font-family:'Tw Cen MT';">Haja vagar, arte e engenho, e gosto pela aventura, um novo mundo sempre nos aguarda mais além.</span></p>
<p align="left"><a href="http://imagomundo.files.wordpress.com/2008/03/sucata.jpg" title="sucata.jpg"><img src="http://imagomundo.files.wordpress.com/2008/03/sucata.jpg" alt="sucata.jpg" /></a></p>
<p align="left"><span style="font-size:14pt;font-family:'Tw Cen MT';">As margens, despidas de vegetação e utilizadas sem pudor, são abandonadas juntamente com monstros de latão e escória que foram arautos de progresso e tiveram sua época de glória. Praga renitente que sempre reaparece, renovada e daninha para gáudio dos sucateiros, essas aves necrófagas da paisagem actual.</span></p>
<p align="left"><a href="http://imagomundo.files.wordpress.com/2008/03/cidade-a-beira-rio.jpg" title="cidade-a-beira-rio.jpg"><img src="http://imagomundo.files.wordpress.com/2008/03/cidade-a-beira-rio.jpg" alt="cidade-a-beira-rio.jpg" /></a></p>
<p align="left"><span style="font-size:14pt;line-height:150%;font-family:'Tw Cen MT';">Destruídas raízes, nascentes e ilimitados horizontes, o que fica? </span></p>
<p align="left">&nbsp;</p>
<p align="left"><a href="http://imagomundo.files.wordpress.com/2008/03/wide-river.jpg" title="wide-river.jpg"><img src="http://imagomundo.files.wordpress.com/2008/03/wide-river.jpg" alt="wide-river.jpg" /></a></p>
<p align="left"><span style="font-size:14pt;line-height:150%;font-family:'Tw Cen MT';">Amodorrados pelas barragens, os rios continuam a ser vias para uma (re-) descoberta, em direcção a tantos horizontes quantos os olhos abarquem. É bem verdade que há turbulência no mais tranquilo dos rios.</span></p>
<p align="left"><a href="http://imagomundo.files.wordpress.com/2008/03/old-town-by-the-river.jpg" title="old-town-by-the-river.jpg"><img src="http://imagomundo.files.wordpress.com/2008/03/old-town-by-the-river.jpg" alt="old-town-by-the-river.jpg" /></a></p>
<p align="left"><span style="font-size:14pt;font-family:'Tw Cen MT';">As águas perdem transparência e profundidade se perdida a paixão no olhar que as percorre. Como se a alternativa fosse o tempo em que a mudança progredia ao ritmo duma carroça puxada por burro velho, tempo de riqueza tão escassa que, por isso, era reservada para alguns poucos.</span></p>
<p align="left"><a href="http://imagomundo.files.wordpress.com/2008/03/galeao.jpg" title="galeao.jpg"><img src="http://imagomundo.files.wordpress.com/2008/03/galeao.jpg" alt="galeao.jpg" /></a></p>
<p align="left"><span style="font-size:14pt;line-height:150%;font-family:'Tw Cen MT';">Sem paixão não há canto de sereia que arraste os Homens para o mar aberto. Nem barqueiro que nos leve para outra margem.</span></p>
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		<title>Luar de Janeiro</title>
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		<pubDate>Thu, 03 Jan 2008 12:45:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>pepe</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Cada lua mais longe para quem o procura, um mundo-outro revela-se ao luar.
Para muitos , estas são noites mudas. E são esses, ironicamente, os que se inquietam na expectativa do ruído após o silêncio. Como são os mesmos que se enervam ao estalarem gravetos por perto e se assustam com o piar agudo ao longe.

Para os noctívagos [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=imagomundo.wordpress.com&blog=2050481&post=16&subd=imagomundo&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>Cada lua mais longe para quem o procura, um mundo-outro revela-se ao luar.</p>
<p>Para muitos , estas são noites mudas. E são esses, ironicamente, os que se inquietam na expectativa do ruído após o silêncio. Como são os mesmos que se enervam ao estalarem gravetos por perto e se assustam com o piar agudo ao longe.</p>
<p><img src="http://fotos.sapo.pt/pedrodealmeida/pic/000xkygh" border="0" alt="" width="640" height="479" align="middle" /></p>
<p><span id="more-16"></span>Para os noctívagos deste mundo-outro, ao invés, o silêncio é revelador de presenças mudas: a noite reverbera, amplifica, ecoa, abafa e murmura, a todo o tempo, sonoridades tácteis.</p>
<p align="center"><em><span style="color:#00ff00;">Adeus ribeira redonda,</span></em></p>
<p align="center"><em><span style="color:#00ff00;">Lá no meio canta a cobra:</span></em></p>
<p align="center"><em><span style="color:#00ff00;">Se tu queres e eu quero,</span></em></p>
<p align="center"><em><span style="color:#00ff00;">Porque é tanta a demora?</span></em>(*)</p>
<p>Se for junto aos rios, já se sabe, outros mundos se reúnem àquele que o luar desvela.</p>
<p>Quem viva na montanha tem razões para não ser apanhado fora de casa, assim o Sol se põe.</p>
<p>Nas noites de frio intenso, se a tormenta anda pelo ar e a Lua brilha mesmo assim, a que buscará homem, ou mulher, transviado por estes ermos, sem tecto que o cubra, sem luz que o guie?<br />
<img style="width:643px;height:471px;" src="http://fotos.sapo.pt/pedrodealmeida/pic/000xr2z5" border="0" alt="" width="640" height="479" align="middle" /></p>
<p align="center"><em><span style="color:#00ff00;">Vou-me despedir de vós,</span></em></p>
<p align="center"><em><span style="color:#00ff00;">Adeus, sol que te vais;</span></em></p>
<p align="center"><em><span style="color:#00ff00;">Deixas-me ficar sozinha</span></em></p>
<p align="center"><em><span style="color:#00ff00;">No meio dos pinheirais.</span></em><span style="color:#ffffff;">(*)</span></p>
<p align="center"><em></em></p>
<p align="left">Em todo o lugarejo contam-se histórias de alguém arrastado da cama, ou dos afazeres caseiros, por um chamamento de fora, pelo restolhar, e, ao espreitar pela nesga da porta, se tentar a sair noite adentro.</p>
<p align="center"><span style="color:#00ff00;"><em>(&#8230;) estando elle testemunha na cama (&#8230;) vio hum negro na mesma camara o qual o tomou (&#8230;) dizendo lhe anda ca. E elle testemunha lhe dise que nam. E entam o tomou o dito negro as costas e o tirou da camara e o tirou por cima da cerca da orta em camisa e o levou a casa da dita Filipa da Mota e vio estar o marido dormindo e lhe dise o dito negro nom ajas medo que dormindo estaa. E que logo elle testemunha se achou na dita cama com a dita Filipa da Mota e sem lhe fallar a ella nem ella a elle se abraçaram ambos e teve aceso carnal com ella (&#8230;)</em></span><strong><span style="color:#ffffff;">¹</span></strong></p>
<p align="left"><img src="http://fotos.sapo.pt/pedrodealmeida/pic/000xd3hf" border="0" alt="" width="1" height="1" /><img src="http://fotos.sapo.pt/pedrodealmeida/pic/000xd3hf" border="0" alt="" width="1" height="1" /><img src="http://fotos.sapo.pt/pedrodealmeida/pic/000xd3hf" border="0" alt="" width="640" height="479" align="middle" /></p>
<p align="left">Este cavalo que pasta, <em>cavalo sem dono, será mesmo?!</em> aparece neste mesmo local desde ontem, anteontem, três noites atrás, já vai a Lua alta. Se alguém se aproxima não foge, mas sempre se afasta um pouco mais para longe. <em>Longe de casa, longe do povo&#8230;noite fora, noite adentro. </em>Na mira do lucro fácil, condoído pela aflicção duma criatura necessitada, espicaçado pela curiosidade, movido pelo desejo&#8230;de noite tudo é diferente do que é de dia.</p>
<p align="left">Outrora, mouros e cristãos se surpreendiam mutuamente em seus castelos, tentando que se entregasse pela calada da noite o que às claras se lhe negava.</p>
<p><img src="http://fotos.sapo.pt/pedrodealmeida/pic/000xsd97" border="0" alt="" width="480" height="560" align="middle" /></p>
<p align="center"><em><span style="color:#00ff00;">-Canta, Mouro, canta, Mouro,</span></em></p>
<p align="center"><em><span style="color:#00ff00;">Canta pela tua vida!</span></em></p>
<p align="center"><em><span style="color:#00ff00;">-Como cantarei, senhora,</span></em></p>
<p align="center"><em><span style="color:#00ff00;">Aqui na prisão metido?</span></em></p>
<p align="center"><em><span style="color:#00ff00;">-Vamos, Mouro, vamos, Mouro,</span></em></p>
<p align="center"><em><span style="color:#00ff00;">Vamos para a Mouraria!</span></em></p>
<p align="center"><em><span style="color:#00ff00;">(&#8230;) Dize-me, Mouro, dize-me, Mouro,</span></em></p>
<p align="center"><em><span style="color:#00ff00;">Dize-me pela tua vida,</span></em></p>
<p align="center"><em><span style="color:#00ff00;">Se me levas por mulher, se me levas por amiga.</span></em></p>
<p align="center"><em><span style="color:#00ff00;">-Nem te levo por mulher,</span></em></p>
<p align="center"><em><span style="color:#00ff00;">Nem te levo por amiga,</span></em></p>
<p align="center"><em><span style="color:#00ff00;">Levo-te por uma escrava, </span></em></p>
<p align="center"><span style="color:#00ff00;"><em>Escrava de toda a vida.</em></span><span style="color:#ffffff;">(*)</span></p>
<p align="left">Pelo breu da noite, bandoleiros saíam a roubar as casas aos lavradores a quem haviam procurado de dia, fingindo mendigar esmolas ou tentando vender o porco surripiado de véspera.</p>
<p align="center"><em><span style="color:#00ff00;">Sete-estrelo rondador,</span></em></p>
<p align="center"><em><span style="color:#00ff00;">que rondas a toda a hora,</span></em></p>
<p align="center"><em><span style="color:#00ff00;">Recolhe-te, sete estrelo,</span></em></p>
<p align="center"><span style="color:#00ff00;"><em> que eu quero rondar agora.</em></span><span style="color:#ffffff;">(*)</span></p>
<p align="left">Nas noites sem lua piam aves de mau agouro, ora e sempre. Por isso, as noites de luar sempre foram cantadas, versejadas: noites para amar, noites onde a rês e a pastora perdidas na serra encontram quem lhes valha.</p>
<p align="left"><img src="http://fotos.sapo.pt/pedrodealmeida/pic/000xyr1y" border="0" alt="" width="640" height="479" align="middle" /> </p>
<p align="left">Noites em que a morte renasce encarnada em criança pequenina e débil, dormindo, dormindo&#8230;</p>
<p align="center"><em><span style="color:#00ff00;">Luar nas nevadas, </span></em></p>
<p align="center"><em><span style="color:#00ff00;">Algido e lindo,</span></em></p>
<p align="center"><em><span style="color:#00ff00;">Janellas fechadas, Fechadas as portas</span></em></p>
<p align="center"><em><span style="color:#00ff00;">E elle fulgindo, </span></em></p>
<p align="center"><em><span style="color:#00ff00;">Limpido e lindo,</span></em></p>
<p align="center"><em><span style="color:#00ff00;">Como boquinhas de creanças mortas,</span></em></p>
<p align="center"><em><span style="color:#00ff00;">Na morte geladas</span></em></p>
<p align="center"><span style="color:#00ff00;"><em>-E ainda sorrindo&#8230;</em></span><span style="color:#ffffff;">²</span></p>
<p align="center"><em></em></p>
<p align="left">Ainda há quem se aventure nas lides nocturnas em esquálida embarcação: com arte e manha monta sua rede, faz do escuro um manto, do silêncio modo do ser, fazendo por ignorar suspiros que a brisa traz e as águas ecoam.</p>
<p align="center"><em><span style="color:#00ff00;">Ó rio, que tanto zôas,</span></em></p>
<p align="center"><span style="color:#00ff00;"><em>Bem podias ir calado</em></span><span style="color:#ffffff;">(*)</span></p>
<p align="left"><img src="http://fotos.sapo.pt/pedrodealmeida/pic/000xf6cq" border="0" alt="" width="479" height="640" align="middle" /></p>
<p align="left">Até nas noites de Dezembro e Janeiro as águas exalam apelos, atraindo os mais inquietos do calor de suas camas.</p>
<p align="center"><em><span style="color:#00ff00;">Ondas do mar levado, </span></em></p>
<p align="center"><em><span style="color:#00ff00;">se vistes meu amado!</span></em></p>
<p align="center"><em><span style="color:#00ff00;">E ai Deus, se verrá cedo!</span></em></p>
<p align="center"><em><span style="color:#00ff00;">Se vistes meu amigo,</span></em></p>
<p align="center"><em><span style="color:#00ff00;">O por que eu sospiro!</span></em></p>
<p align="center"><span style="color:#00ff00;"><em>E ai Deus, se verrá cedo!</em></span><strong><span style="color:#ffffff;">³</span></strong></p>
<p align="left">Nas noites sem Lua, contavam os mais velhos, havia quem rondasse as casas para tormento das casadas com marido ausente e filhos pequenos por criar.</p>
<p align="center"><em><span style="color:#00ff00;">Estando D.Filomena</span></em></p>
<p align="center"><em><span style="color:#00ff00;">No seu jardim a fiar,</span></em></p>
<p align="center"><em><span style="color:#00ff00;">Passou um triste soldado,</span></em></p>
<p align="center"><em><span style="color:#00ff00;">Tratou em o namorar.</span></em></p>
<p align="center"><em><span style="color:#00ff00;">-Vem cá tu, ó soldadinho,</span></em></p>
<p align="center"><em><span style="color:#00ff00;">Que vens em boa ocasião;</span></em></p>
<p align="center"><em><span style="color:#00ff00;">Meu marido não &#8217;stá cá,</span></em></p>
<p align="center"><span style="color:#00ff00;"><em>&#8217;stá na Serra d&#8217;Aragão</em></span><span style="color:#ffffff;">(*)</span></p>
<p align="left">Ou tirando o descanso a todos quantos guardam os aforros duma vida debaixo da enxerga.</p>
<p align="center"><em><span style="color:#00ff00;">S.Bartolomeu me disse</span></em></p>
<p align="center"><em><span style="color:#00ff00;">que me deitasse e dormisse</span></em></p>
<p align="center"><em><span style="color:#00ff00;">sem medo da onda</span></em></p>
<p align="center"><em><span style="color:#00ff00;">nem do homem da má sombra,</span></em></p>
<p align="center"><em><span style="color:#00ff00;">nem do velhaco pesadelo</span></em></p>
<p align="center"><em><span style="color:#00ff00;">que tem a mão virada</span></em></p>
<p align="center"><span style="color:#00ff00;"><em>e a unha revirada.</em></span><span style="color:#ffffff;">(*)</span></p>
<p align="center"><img src="http://fotos.sapo.pt/pedrodealmeida/pic/000xt578" border="0" alt="" width="640" height="479" align="middle" /></p>
<p align="left">Se batiam à porta era para pedir pão e consolo,</p>
<p align="center"><em><span style="color:#00ff00;">-Abre-me essa porta,</span></em></p>
<p align="center"><em><span style="color:#00ff00;">(&#8230;) Se ela não se abre,</span></em></p>
<p align="center"><em><span style="color:#00ff00;">Ela se há-de abrir;</span></em></p>
<p align="center"><em><span style="color:#00ff00;">Contigo, menina,</span></em></p>
<p align="center"><span style="color:#00ff00;"><em>Quero ir dormir.</em></span><span style="color:#ffffff;">(*)</span></p>
<p align="left">senão atiravam pedrinhas a certa janela.</p>
<p align="center"><em><span style="color:#00ff00;">não me atireis com pedras,</span></em></p>
<p align="center"><em><span style="color:#00ff00;">qu&#8217;eu estou a lavar a louça:</span></em></p>
<p align="center"><em><span style="color:#00ff00;">atirai-me com suspiros</span></em></p>
<p align="center"><span style="color:#00ff00;"><em>de modo que ninguém ouça.</em></span><span style="color:#ffffff;">(*)</span></p>
<p align="left">Os mais discretos levantavam duas, três telhas, ou forçavam, sem ruido, o portal onde se guarda o gado.</p>
<p align="left">A prudência e o bom senso afastam até os mais incautos dos lugares ermos, das ruínas e das moradas dos que <em>já se foram</em>, principalmente depois da noite cair.</p>
<p align="center"><em><span style="color:#00ff00;">Ó alma dianteira</span></em></p>
<p align="center"><em><span style="color:#00ff00;">Toca lá nessa caldeira.</span></em></p>
<p align="center"><em><span style="color:#00ff00;">Quando éramos vivos,</span></em></p>
<p align="center"><em><span style="color:#00ff00;">Andávamos aqui aos figos;</span></em></p>
<p align="center"><em><span style="color:#00ff00;">Agora que somos mortos,</span></em></p>
<p align="center"><span style="color:#00ff00;"><em>Andamos por estes barrocos.</em></span><span style="color:#ffffff;">(*)</span></p>
<p align="left">Mais ainda quando são noites longas escuras e geladas.</p>
<p align="left"><img src="http://fotos.sapo.pt/pedrodealmeida/pic/000xxa97" border="0" alt="" width="640" height="479" align="middle" /> </p>
<p align="center"><em><span style="color:#00ff00;">Lua nova, benze-a Deus:</span></em></p>
<p align="center"><em><span style="color:#00ff00;">Minha madrinha, mãe de Deus!</span></em></p>
<p align="center"><em><span style="color:#00ff00;">De três coisas me hás-de livrar:</span></em></p>
<p align="center"><em><span style="color:#00ff00;">De água corrente,</span></em></p>
<p align="center"><em><span style="color:#00ff00;">De fogo ardente,</span></em></p>
<p align="center"><span style="color:#00ff00;"><em>De línguas de má gente.</em></span><span style="color:#ffffff;">(*)</span></p>
<p align="left">Mas que cabeça perturbada, que coração inquieto, que ânsia desvairada, resistiu alguma vez ao apelo da Lua Cheia?</p>
<p align="left"><img src="http://fotos.sapo.pt/pedrodealmeida/pic/000xe61t" border="0" alt="" width="479" height="640" align="middle" /></p>
<p align="center"><em><span style="color:#00ff00;">Colléume a noite,</span></em></p>
<p align="center"><em><span style="color:#00ff00;">noite brillante,</span></em></p>
<p align="center"><em><span style="color:#00ff00;">cunha luniña,</span></em></p>
<p align="center"><em><span style="color:#00ff00;">feita de xaspes,</span></em></p>
<p align="center"><em><span style="color:#00ff00;">e fun con ela,</span></em></p>
<p align="center"><em><span style="color:#00ff00;">camiño adiante,</span></em></p>
<p align="center"><em><span style="color:#00ff00;">cas estreliñas</span></em></p>
<p align="center"><em><span style="color:#00ff00;">para guiarme,</span></em></p>
<p align="center"><em><span style="color:#00ff00;">que aquel camiño</span></em></p>
<p align="center"><span style="color:#00ff00;"><em>sólo elas saben </em></span><span style="color:#ffffff;"><strong>4</strong></span></p>
<p align="left">Nem mesmo quando encoberta por castelos de nuvens ou oculta detrás de muralhas de memórias brumosas.</p>
<p align="left"> </p>
<p align="left">Quem se arrepende e volta atrás já não encontra os passos largados pelo caminho de casa até ali <em>até nenhures</em>. Tarde descobre que, quanto mais luminosa é a Lua, mais escuras são a sombra das árvores, a sombra dos muros e a sombra que o segue.</p>
<p><img src="http://fotos.sapo.pt/pedrodealmeida/pic/000xhgf3" border="0" alt="" width="640" height="479" align="absMiddle" /></p>
<p>Quando descobre o vulto duma casa, duma igreja, seu coração acelerado precipita-o adiante, não lhe dando vagar para se interrogar porque é que há lugares afastados de tudo e rodeados de densa mata no caminho de regresso à vida normal.</p>
<p align="center"><em><span style="color:#00ff00;">Eu ame uma estrela</span></em></p>
<p align="center"><em><span style="color:#00ff00;">Com tod&#8217;amezidade,</span></em></p>
<p align="center"><em><span style="color:#00ff00;">E a meia noite seria</span></em></p>
<p align="center"><em><span style="color:#00ff00;">Que l&#8217;eu pedi pé d&#8217;intrada;</span></em></p>
<p align="center"><em><span style="color:#00ff00;">E se m&#8217;ela diz que não,</span></em></p>
<p align="center"><span style="color:#00ff00;"><em>Por minhas mãos me matava.</em></span><span style="color:#ffffff;">(*)</span></p>
<p align="center"><em></em></p>
<p align="left">Até a mais alva ermida das velhas histórias de família, local de devoção duma avó querida, santuário de festa e romaria do Verão duma infância feliz, muda de natureza e figura quando se está só e é noite.</p>
<p align="center"><em><span style="color:#00ff00;">&#8220;Quem fez esta ermida?</span></em></p>
<p align="center"><em><span style="color:#00ff00;">Quem fez esta orada?&#8221;-</span></em></p>
<p align="center"><em><span style="color:#00ff00;">-&#8221;Senhora Santa Helena,</span></em></p>
<p align="center"><span style="color:#00ff00;"><em>Que um cavaleiro matara.&#8221;</em></span><span style="color:#ffffff;">(*)</span></p>
<p align="center"><img src="http://fotos.sapo.pt/pedrodealmeida/pic/000xwfdb" border="0" alt="" width="479" height="640" align="middle" /></p>
<p align="left">Se for noite de Inverno e a Lua espreita pelas frinchas das paredes rachadas, pelos buracos do tecto, velhos demónios e obscuras divindades desafiam quimeras, sonhos e pesadelos de quem os esconjura com sua presença.</p>
<p align="center"><em><span style="color:#00ff00;">-Como te perdoarei eu,</span></em></p>
<p align="center"><em><span style="color:#00ff00;">Que fizestes à minha cabeça </span></em></p>
<p align="center"><em><span style="color:#00ff00;">O que o lobo faz ao carneiro?</span></em></p>
<p align="center"><em><span style="color:#00ff00;">Vai-te para trás do altar, </span></em></p>
<p align="center"><span style="color:#00ff00;"><em>Servirás de candeeiro.</em></span><span style="color:#ffffff;">(*)</span></p>
<p align="center"><em></em></p>
<p align="left">Que tem a Lua para despertar estas sombras? Ou será dos olhos de quem a vê? Subindo ao alto da serra onde a terra acaba e o céu limita toda a ascensão, ao luar se descobre a mesma Lua em cada olho d&#8217;água, em cada lagoa, brilhando com a mesma intensidade da que está no firmamento.</p>
<p align="center"><em><span style="color:#00ff00;">Luar dos poetas e dos miseráveis,</span></em></p>
<p align="center"><em><span style="color:#00ff00;">Como se um laço estreito nos unisse,</span></em></p>
<p align="center"><em><span style="color:#00ff00;">São similháveis</span></em></p>
<p align="center"><em><span style="color:#00ff00;">O nosso destino e o que tens&#8230;</span></em></p>
<p align="center"><em><span style="color:#00ff00;">De nós, da nossa dor, a turba ri-se</span></em></p>
<p align="center"><span style="color:#00ff00;"><em>-e a ti, sagrado, ladram-te os cães!</em></span><span style="color:#ffffff;">²</span></p>
<p><img src="http://fotos.sapo.pt/pedrodealmeida/pic/000xz7k7" border="0" alt="" width="640" height="479" align="middle" /></p>
<p>Também se descobre como a menor brisa na superfície aquática estremece o reflexo. Mas quem tenha  o atrevimento de se descalçar e entrar nos espelhos lunares, confirmará o que toda a criança  sabe: por detrás das aparências escondem-se realidades muito distintas.</p>
<p>Em geral menos óbvias, raramente menos lodosas. E sempre, sempre, surpreendentes.</p>
<p align="center"><em><span style="color:#00ff00;">Naquela serra</span></em></p>
<p align="center"><em><span style="color:#00ff00;">Tem meu pai um lameirinho:</span></em></p>
<p align="center"><em><span style="color:#00ff00;">De dia rega-o o sol,</span></em></p>
<p align="center"><span style="color:#00ff00;"><em>De noite o meu  amorzinho.</em><span style="color:#ffffff;">(*)</span> </span></p>
<pre>   (*) Recolhida da <span style="text-decoration:underline;">Revista Lusitana dir. José Leite de Vasconcelos</span>   

1 in <span style="text-decoration:underline;">O Imaginário da Magia de Francisco Bethencourt</span>
  ed.projecto universidade aberta 1987   

2 in <span style="text-decoration:underline;">luar de janeiro/Luar de Janeiro de Augusto Gil</span>
retirado da edição on-line do <a href="http://www.gutenberg.org/files/17962/17962-8.txt">Projecto Gutemberg</a>   

3 in ay ondas do mar de vigo de Martim Codax da
edição on-line da <a href="http://www.cervantesvirtual.com/servlet/SirveObras/00360518790025195209079/p0000001.htm#I_5_">Biblioteca Virtual Miguel Cervantes</a>   

4 in <span style="text-decoration:underline;">fun un domingo/Cantares Gallegos de Rosalia de Castro</span> da
  edição on-line da <a href="http://www.cervantesvirtual.com/servlet/SirveObras/02587296500292784199079/index.htm">Biblioteca Virtual Miguel Cervantes</a>          </pre>
<img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/imagomundo.wordpress.com/16/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/imagomundo.wordpress.com/16/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/imagomundo.wordpress.com/16/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/imagomundo.wordpress.com/16/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/imagomundo.wordpress.com/16/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/imagomundo.wordpress.com/16/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/imagomundo.wordpress.com/16/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/imagomundo.wordpress.com/16/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/imagomundo.wordpress.com/16/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/imagomundo.wordpress.com/16/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/imagomundo.wordpress.com/16/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/imagomundo.wordpress.com/16/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=imagomundo.wordpress.com&blog=2050481&post=16&subd=imagomundo&ref=&feed=1" /></div>]]></content:encoded>
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			<media:title type="html">novo mundo</media:title>
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	</item>
		<item>
		<title>arranhando a superfície até sangrarem os dedos</title>
		<link>http://imagomundo.wordpress.com/2007/10/31/6/</link>
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		<pubDate>Wed, 31 Oct 2007 12:24:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>pepe</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Desde que viajar se tornou sinónimo de lazer, a descoberta cede lugar ao &#8220;reconhecimento&#8221;: capta-se a essência da cidade numa dúzia pequena de palavras, projectando sua imagem numa definição apelativa; seus habitantes, retratados em meia-dúzia de lugares-comuns, viram figurantes.
&#160;

Mas como esquecer que o céu sobre a cidade é tão, ou mais, importante para o estado de espírito [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=imagomundo.wordpress.com&blog=2050481&post=6&subd=imagomundo&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p class="title"><font size="4"><font face="Times New Roman">Desde</font> <font face="Times New Roman">que viajar se tornou sinónimo de <em>lazer</em>, a descoberta cede lugar ao &#8220;reconhecimento&#8221;: capta-se a essência da cidade numa dúzia pequena de palavras, projectando sua imagem numa definição apelativa; seus habitantes, retratados em meia-dúzia de lugares-comuns, viram figurantes.</font></font></p>
<p align="justify">&nbsp;</p>
<p align="justify"><img border="0" src="http://fotos.sapo.pt/pedrodealmeida/pic/000whdxk" style="border-color:black;" /></p>
<p align="justify"><font size="4" face="Times New Roman">Mas como esquecer que o céu sobre a cidade é tão, ou mais, importante para o estado de espírito de quem acorda e acorre à janela, quanto todas as ideias feitas?</font></p>
<p align="justify">&nbsp;</p>
<p align="justify">&nbsp;</p>
<p align="justify">&nbsp;</p>
<p align="justify"><span id="more-6"></span></p>
<p align="justify"><font size="4" face="Times New Roman">Os antigos relatos de viagens, logo de início, descreviam os vultos arquitectónicos que se destacavam ao primeiro olhar panorâmico. Depois estreitavam o campo de visão, baixavam-no ao nível das ruas e das praças, só depois entrando no interior de templos, palácios e fortalezas.</font> </p>
<p align="justify">&nbsp;</p>
<p align="justify"><img border="0" src="http://fotos.sapo.pt/pedrodealmeida/pic/000wb962" style="border-color:black;" /></p>
<p align="justify"><font size="4" face="Times New Roman">&#8220;Barro, pedra, madeira, ferro, qual a matéria-prima que caracteriza a cidade e seus habitantes?&#8221;_ parecem querer saber.<em> Mas &#8230;e que dizer do céu que é donde lhe vem a luz?</em></font></p>
<p><!--more--></p>
<p align="justify">&nbsp;</p>
<p align="justify"><font size="4" face="Times New Roman">Talvez não lhes fosse evidente, como hoje continua não sendo. Talvez por atavismo dos antigos mesteres e ofícios, pela sua atenção ao concreto e palpável.</font></p>
<p align="justify">&nbsp;</p>
<p align="justify"><img border="0" src="http://fotos.sapo.pt/pedrodealmeida/pic/000w65kw" style="border-color:black;" /></p>
<p align="justify"><font size="4" face="Times New Roman">Como se a matéria fosse inanimada e o palpável não acendesse paixões. Como se cada janela nos desse a mesma imagem da cidade.</font></p>
<p align="justify">&nbsp;</p>
<hr />
<p align="justify">&nbsp;</p>
<p align="justify"><font size="4" face="Times New Roman">Talvez pelo hábito de se andar de olhos pregados no chão, através de ruas estreitas onde o céu é esquartejado pelos prédios ou tapado pela roupa que seca nos varais.</font></p>
<p align="justify">&nbsp;</p>
<p align="justify"><img border="0" width="426" src="http://fotos.sapo.pt/pedrodealmeida/pic/000wrbg8" height="475" style="border-color:black;" /></p>
<p align="justify"><font size="4" face="Times New Roman">De cabeça vergada sob a canga das consumições do dia-a-dia. E porque houve tempos em que se escutava gritar lá do alto <em>Água vai!</em></font></p>
<p align="justify">&nbsp;</p>
<hr />
<p align="justify">&nbsp;</p>
<p align="justify"><font size="4" face="Times New Roman">Todavia, na cidade antiga há, ainda, o privilégio de se andar pela rua, lavantar o olhar para a janela duma casa <em>na expectativa de surpreender o corpo amado? </em>e, no mesmo movimento, abarcar o céu e um templo dedicado a divindades locais</font> </p>
<p align="justify">&nbsp;</p>
<p align="justify"><img border="0" src="http://fotos.sapo.pt/pedrodealmeida/pic/000wgp6d" style="border-color:black;" /></p>
<p align="justify"><font size="4" face="Times New Roman">numa metáfora tão vazia de sentido, quanto carregada de emoções.</font></p>
<p align="justify">&nbsp;</p>
<hr />
<p align="justify">&nbsp;</p>
<p align="justify"><font size="4" face="Times New Roman">Há quem <em>pense</em> <em>o céu </em>e, quando pensa, pensa-o sempre igual. Será assim tão difícil de <em>sentir</em> que o casario, as ruas empedradas, até os muros que velam jardins <em>que são hortas</em> </font></p>
<p align="justify">&nbsp;</p>
<p align="justify"><img border="0" width="416" src="http://fotos.sapo.pt/pedrodealmeida/pic/000ww6ct" height="448" style="border-color:black;" /></p>
<p align="justify"><font size="4" face="Times New Roman">o envolvem numa paleta de cores e texturas, criando uma atmosfera densa, instável, de memórias e perfumes?</font></p>
<p align="justify">&nbsp;</p>
<hr />
<p align="justify">&nbsp;</p>
<p align="justify"><font size="4" face="Times New Roman">Não só o céu é sempre outro, conforme a cidade se move em redor do transeunte, como este é transportado para outros horizontes e distintas emoções.</font> </p>
<p align="justify">&nbsp;</p>
<p align="justify"><img border="0" width="488" src="http://fotos.sapo.pt/pedrodealmeida/pic/000w42ra" height="366" style="width:504px;height:493px;border-color:black;" /></p>
<p align="justify"><font size="4" face="Times New Roman">Árvores imensas, sombrias ramadas e janelas viradas para o mundo&#8230;</font></p>
<p align="justify">&nbsp;</p>
<hr />
<p align="justify">&nbsp;</p>
<p align="justify"><font size="4" face="Times New Roman">&#8230;alternam com janelas ensimesmadas, varandas gradeadas, lojas de comércio improvável. Há quem se apaixone pelo detalhe, há quem se deixe possuir pelos ambientes,</font></p>
<p align="justify"><img border="0" width="377" src="http://fotos.sapo.pt/pedrodealmeida/pic/000w0pts" height="448" style="width:425px;height:448px;border-color:black;" /></p>
<p align="justify"><font size="4" face="Times New Roman">como também há quem não cultive a memória, nem alimente paixões. Sem se arranhar a superfície, sua opacidade cega os sentidos <em>uma coisa é uma coisa que é uma coisa</em></font></p>
<p align="justify">&nbsp;</p>
<hr />
<p align="justify">&nbsp;</p>
<p align="justify"><font size="4" face="Times New Roman">Mas é o rio que faz da cidade <em>esta</em> cidade. Mesmo que ausente dos horizontes das inúmeras janelas que nem o Sol acolhem.</font></p>
<p align="justify">&nbsp;</p>
<p align="justify"><img border="0" width="437" src="http://fotos.sapo.pt/pedrodealmeida/pic/000wxfdp" height="448" style="width:495px;height:596px;border-color:black;" /></p>
<p align="justify"><font size="4" face="Times New Roman">Mesmo que esquecido das preocupações dos que calcorreiam as ruas da cidade.</font></p>
<p align="justify">&nbsp;</p>
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<hr />
<p align="justify">&nbsp;</p>
<p align="justify"><font size="4" face="Times New Roman">O rio funda a cidade, molda-lhe o perfil: o casario dispõe-se pelas margens que se estreitam e se cruzam debaixo dum céu inconstante, volúvel e</font></p>
<p align="justify">&nbsp;</p>
<p align="justify"><img border="0" width="446" src="http://fotos.sapo.pt/pedrodealmeida/pic/000wk0wb" height="504" style="border-color:black;" /></p>
<p align="justify"><font size="4" face="Times New Roman">que tenta acompanhar os humores do rio caprichoso.</font></p>
<p align="justify">&nbsp;</p>
<p align="justify">&nbsp;</p>
<hr />
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<p align="justify"><font size="4" face="Times New Roman">Como não há-de ser temperamental o rio que nasce nas montanhas do interior profundo, cruzando terras de fronteira, ganhando força no esforço de rasgar caminhos para o litoral até se entregar às fantasias do mar? E como acompanha-lo se sua corrente muda de sentido e intensidade por influência da Lua? </font></p>
<p align="justify">&nbsp;</p>
<p align="justify"><img border="0" width="511" src="http://fotos.sapo.pt/pedrodealmeida/pic/000tz3gz" height="354" style="width:540px;height:501px;border-color:black;" /></p>
<p align="justify"><font size="4" face="Times New Roman">A cidade cresceu para poente até às praias oceânicas, arrastada pelo rio.</font></p>
<p align="justify">&nbsp;</p>
<hr />
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<p align="justify"><font size="4" face="Times New Roman">Há que ser clarividente para <em>ver</em> que até o Sol reaparece lá das bandas donde nasce o rio, todas as madrugadas?</font></p>
<p align="justify">&nbsp;</p>
<p align="justify"><img border="0" src="http://fotos.sapo.pt/pedrodealmeida/pic/000wc0d8" style="border-color:black;" /></p>
<p align="justify"><font size="4" face="Times New Roman">E nem por isso o Sol faz parte dos atributos da cidade?</font></p>
<p align="justify">&nbsp;</p>
<hr />
<p align="justify">&nbsp;</p>
<p align="justify"><font size="4" face="Times New Roman">Nem por isso, nem por segui-lo até ao mar. A cidade velha vive sob a influência da atmosfera densa do rio: sua luz não é a do Sol, mas a da chuva.</font></p>
<p align="justify">&nbsp;</p>
<p align="justify"><img border="0" width="489" src="http://fotos.sapo.pt/pedrodealmeida/pic/000wte79" height="394" style="width:489px;height:433px;border-color:black;" /></p>
<p align="justify"><font size="4" face="Times New Roman">E são as tardes frias, cinzentas, quem seduzem o estranho que nela se perca.</font></p>
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<hr />
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<p align="justify"><font size="4" face="Times New Roman">A cidade rejuvenesce sob a chuva miúda, sua pele de sáurio antigo se solta, rejuvenescendo na mulher de beleza eterna e idade indefinível. Do húmus das fundações libertam-se exalações íntimas, insinuantes.</font></p>
<p align="justify">&nbsp;</p>
<p align="justify"><img border="0" width="497" src="http://fotos.sapo.pt/pedrodealmeida/pic/000w2sea" height="400" style="width:499px;height:464px;border-color:black;" /></p>
<p align="justify"><font size="4" face="Times New Roman">Suas ruas se transfiguram no bailado de luz e cor com as nuvens que passam. Nuvens ligeiras e úberes.</font></p>
<p align="justify">&nbsp;</p>
<hr />
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<p align="justify"><font size="4" face="Times New Roman">Será de espantar haver tantos a lamentarem-na por esses dias? Que a abominem por ser escura, <em>granítica</em>? Em tempos ainda não tão distantes, a maior qualidade que lhe reconheciam era a de ser a <em>cidade do trabalho</em>: para esses, o rio era estrada por onde chegava o vinho que deu fama à cidade; para esses, o céu era sempre escuro porque <em>muito</em> a norte.</font></p>
<p align="justify">&nbsp;</p>
<p align="justify"><img border="0" src="http://fotos.sapo.pt/pedrodealmeida/pic/000w55gt" style="border-color:black;" /></p>
<p align="justify"><font size="4" face="Times New Roman"><em>Mas alguma vez arranharam a superfície das coisas até lhes sangrarem os dedos?</em></font></p>
<p align="justify">&nbsp;</p>
<hr />
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<p align="justify"><font size="4" face="Times New Roman">Se é mesmo verdade de que os habitantes duma cidade são moldados pela matéria-prima de que a cidade é feita, atente-se à combinação do ferro e do granito sob o céu de chumbo, nas margens escuras e tormentosas.</font></p>
<p align="justify">&nbsp;</p>
<p align="justify"><img border="0" src="http://fotos.sapo.pt/pedrodealmeida/pic/000wy4ch" style="border-color:black;" /></p>
<p align="justify">&nbsp;</p>
<hr />
<p align="justify">&nbsp;</p>
<p align="justify"><font size="4" face="Times New Roman">Ou recorde-se a história violenta que deu origens a muralhas como estas: é cidade que se orgulha de dar o nome a uma nação. Dela se pode dizer, talvez como de nenhuma outra, que suas maiores virtudes são os seus maiores defeitos.</font></p>
<p align="justify">&nbsp;</p>
<p align="justify"><img border="0" src="http://fotos.sapo.pt/pedrodealmeida/pic/000w9w3d" style="border-color:black;" /></p>
<p align="justify"><font size="4" face="Times New Roman">Ah, e se experimentassem caminhar pela cidade, nas noites de luar, pelos becos e vielas desamparados de iluminação pública!&#8230;<em>mas para entende-lo há que raspar, raspar até sangrar e ver para além da superfície</em></font></p>
<hr />
<p align="justify">&nbsp;</p>
<p align="justify"><font size="4" face="Times New Roman">Nas escarpas sobranceiras ao rio, acumulam-se épocas, ossadas e lendas. </font></p>
<p align="justify"><img border="0" src="http://fotos.sapo.pt/pedrodealmeida/pic/000wzhcb" style="border-color:black;" /></p>
<p align="justify">&nbsp;</p>
<hr />
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<p align="justify"> <font size="4" face="Times New Roman">Por detrás das fachadas de granito, paredes meias com pias imagens das igrejas, escondem-se histórias que a toponímia desvela <em>escadas da esnoga monte dos judeus</em></font></p>
<p align="justify">&nbsp;</p>
<p align="justify"><img border="0" width="472" src="http://fotos.sapo.pt/pedrodealmeida/pic/000w7sa6" height="377" style="width:492px;height:423px;border-color:black;" /></p>
<p align="justify">&nbsp;</p>
<p align="justify">&nbsp;</p>
<hr />
<p align="justify">&nbsp;</p>
<p align="justify"><font size="4" face="Times New Roman">O granito é o alicerce da sua condição de cidade próspera, estampada nas casas dos ricos burgueses, nos templos e armazéns. Também em palácios e palacetes, sim! mas recorde-se de que foi preciso um rei aqui pernoitar, em peregrinação a Compostela, </font></p>
<p align="justify"><img border="0" src="http://fotos.sapo.pt/pedrodealmeida/pic/000wf95c" style="border-color:black;" /></p>
<p align="justify"><font size="4" face="Times New Roman">para a cidade ceder na sua prerrogativa de não dar dormida, dentro de muros, a nobre algum.</font></p>
<p align="justify">&nbsp;</p>
<hr />
<p align="justify">&nbsp;</p>
<p align="justify"><font size="4" face="Times New Roman">O ferro reforçou sua vocação mercantil, fê-la ganhar ambições industriais e</font></p>
<p align="justify">&nbsp;</p>
<p align="justify"><img border="0" src="http://fotos.sapo.pt/pedrodealmeida/pic/000we84d" style="border-color:black;" /></p>
<p align="justify">&nbsp;</p>
<hr />
<p align="justify"><font size="4" face="Times New Roman">é esta identidade em que se revêem suas gentes, se bem que os tempos sejam outros.</font></p>
<p align="justify">&nbsp;</p>
<p align="justify"><img border="0" width="419" src="http://fotos.sapo.pt/pedrodealmeida/pic/000wp73r" height="358" style="border-color:black;" /></p>
<p align="justify">&nbsp;</p>
<hr />
<p align="justify">&nbsp;</p>
<p align="justify"><font size="4" face="Times New Roman">Nunca ausentes, os habitantes da cidade antiga têm uma presença elusiva, difícil entender se estão de passagem, se estão por estar ou se vão ali e já voltam.</font></p>
<p align="justify">&nbsp;</p>
<p align="justify"><img border="0" width="367" src="http://fotos.sapo.pt/pedrodealmeida/pic/000wd5af" height="463" style="width:421px;height:545px;border-color:black;" /></p>
<p align="justify"><font size="4" face="Times New Roman">A aparente falta de pressa ou de propósito deixa transparecer uma tensão interior.</font></p>
<p align="justify">&nbsp;</p>
<hr />
<p align="justify">&nbsp;</p>
<p align="justify"><font size="4" face="Times New Roman">Tal como o céu, os templos e as janelas das casas, evitam se expor, tentam passar desapercebidos, anónimos como figurantes num cenário.</font></p>
<p align="justify">&nbsp;</p>
<p align="justify"><img border="0" width="453" src="http://fotos.sapo.pt/pedrodealmeida/pic/000w8k01" height="488" style="border-color:black;" /></p>
<p align="justify">&nbsp;</p>
<hr />
<p align="justify">&nbsp;</p>
<p align="justify"><font size="4" face="Times New Roman">Ou desaparecem por detrás de janelas opacas, sob o escuro das arcadas, embrenhados sabe-se lá em que actividades clandestinas.</font></p>
<p align="justify">&nbsp;</p>
<p align="justify"><img border="0" width="464" src="http://fotos.sapo.pt/pedrodealmeida/pic/000tyawr" height="376" style="border-color:black;" /></p>
<p align="justify">&nbsp;</p>
<hr />
<p align="justify">&nbsp;</p>
<p><font size="4" face="Times New Roman"></p>
<p align="justify"><font size="4" face="Times New Roman">Mas quem pode afirmar que não estão <em>lá</em> e em toda a parte?</font></p>
<p align="justify"><img border="0" width="452" src="http://fotos.sapo.pt/pedrodealmeida/pic/000x0kdp" height="481" style="border-color:black;" /></p>
<p></font></p>
<p align="justify">&nbsp;</p>
<hr />
<p align="justify">&nbsp;</p>
<p align="justify"><font size="4" face="Times New Roman">Efeitos do rio, ainda? Da peculiar atmosfera que esbate ruas e evidências?</font></p>
<p align="justify"><img border="0" src="http://fotos.sapo.pt/pedrodealmeida/pic/000w38y8" style="border-color:black;" /></p>
<p align="justify">&nbsp;</p>
<hr />
<p align="justify">&nbsp;</p>
<p align="justify"><font size="4" face="Times New Roman">Entre o céu e o rio existem pistas para quem queira ir mais além da superfície das revistas de viagens ou dos postais de lembranças.</font></p>
<p align="justify">&nbsp;</p>
<p align="justify"><img border="0" width="425" src="http://fotos.sapo.pt/pedrodealmeida/pic/000w1891" height="476" style="border-color:black;" /></p>
<p align="justify"><font size="4" face="Times New Roman">Caminhos que se abrem à espontânea curiosidade.</font></p>
<hr />
<p align="justify">&nbsp;</p>
<p align="justify"><font size="4" face="Times New Roman">Ou outras tantas janelas que se fecham à menor tentativa de as enquadrar.</font></p>
<p align="justify"><img border="0" src="http://fotos.sapo.pt/pedrodealmeida/pic/000waehg" style="border-color:black;" /></p>
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<p align="justify">&nbsp;</p>
<p><br class="clear" /></p>
<p class="otherInfo">&nbsp;</p>
<p><br class="clear" /></p>
<p class="sign">&nbsp;</p>
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