luz incerta
•Agosto 19, 2009 • Deixe um Comentário
As praias já foram lugares assombrados pela luz incerta de mundos desencontrados: colónias de pescadores do norte que desciam o litoral na busca de outras águas, trazendo consigo artes ancestrais; porta de entrada para piratas escandinavos e mouros na sua faina de pilhar mosteiros e povoados;
chegada à Primavera
•Maio 7, 2009 • 1 Comentário

Quem anda pelos velhos caminhos tem encontros inesperados, mas já poucos são os que temem o lobo. Os dias escuros, frios e húmidos são convite ao recolhimento, à reflexão, à melancolia. Ou assim era dantes. Há saberes que convocam os cinco sentidos, há aproximações só possíveis depois dum distanciamento. E a vida é impulso.
Sortilégio de Inverno
•Janeiro 18, 2009 • 1 Comentário
Sob o manto brumoso do Inverno, o frio melancólico da terra alagada, da vida adormecida ou ausente. As hordas inconformadas dos veraneantes anseiam pelo seu fim, só o tolerando em formato postal das “férias na neve” ou na urbanidade da decoração de ruas natalícias. Os Antigos temiam-no, resignados ao ciclo da terra que se recolhe em silêncio e sossego abissais.
miradouro
•Dezembro 3, 2008 • 3 ComentáriosA luz vaga chega das águas a horas incertas: são dias que podem ser noites em que o abafar dos ruídos alumia as vozes ou realça sua ausência.
Quem desce a rua em direção ao rio arrisca-se a perder o sentido das urgências mais vale fazer amanhã o que pode ser feito hoje para viver o aqui-e-agora-e-sempre. Mistérios que confundem o incauto: “Será da luz filtrado pelo céu? Serão as cores sombrias do casario? Ou será mesmo pela peculiar atmosfera à beira-rio?” Continue a ler ‘miradouro’
o labor da memória
•Maio 23, 2008 • Deixe um ComentárioAté o mais familiar dos percursos pode ser amedrontador: basta levantar os olhos e deixar-se surpreender pela luz do céu sempre em mutação. Há fragmentos da cidade que levam o caminhante a questionar-se sobre o tempo que passa, possuído pela nostalgia dum tempo que não é o seu.
Nem a segurança das ideias feitas, seja uma algibeira delas prontas-a-usar, sejam seiscentas dúzias de fórmulas que resumam a variedade do mundo, sossegam quem for apanhado pelo gérmen da inquietação. Será esta a origem do “espanto” dos antigos gregos? Continue a ler ‘o labor da memória’
rio adentro
•Março 31, 2008 • 2 ComentáriosAs águas sempre tiveram um encanto perigoso, iludindo quem passa num jogo de reflexos e transparências. E porque haveriam suas imagens ser menos verdadeiras, porque teria de ser seu fundo mais apaziguador? Tranquilas à superfície, nada dizem da agitação que as move. Ou dizem muito… se calhar, dizem mesmo tudo. Talvez só o digam a quem nelas se afundar…
Luar de Janeiro
•Janeiro 3, 2008 • 1 ComentárioCada lua mais longe para quem o procura, um mundo-outro revela-se ao luar.
Para muitos , estas são noites mudas. E são esses, ironicamente, os que se inquietam na expectativa do ruído após o silêncio. Como são os mesmos que se enervam ao estalarem gravetos por perto e se assustam com o piar agudo ao longe.
arranhando a superfície até sangrarem os dedos
•Outubro 31, 2007 • 1 ComentárioDesde que viajar se tornou sinónimo de lazer, a descoberta cede lugar ao “reconhecimento”: capta-se a essência da cidade numa dúzia pequena de palavras, projectando sua imagem numa definição apelativa; seus habitantes, retratados em meia-dúzia de lugares-comuns, viram figurantes.
Mas como esquecer que o céu sobre a cidade é tão, ou mais, importante para o estado de espírito de quem acorda e acorre à janela, quanto todas as ideias feitas?
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